45 anos do homicídio do Padre Max e de Maria de Lurdes

2 de abril de 1976, sexta-feira à noite. Maximino Barbosa de Sousa e Maria de Lurdes Correia tinham estado na Casa da Cultura da Cumieira a dar aulas a adultos. Com eles estava Carlos Alberto. Carlos ia dar um garrafão de vinho ao Padre Max e por isso seguiu com eles no automóvel.  Após Carlos ter ficado na sua casa e ter entregue o garrafão, Maximino e Maria de Lurdes iniciaram o regresso a Vila Real. Alguns momentos depois, uma bomba colocada no carro onde os dois seguiam explode. Padre Max e Maria de Lurdes não resistiram ao ataque acabando por falecer umas horas depois. 

No dia 25 de abril daquele ano realizaram-se a primeiras eleições legislativas e Maximino de Sousa era candidato à Assembleia da República pela União Democrática Popular (UDP), um partido de esquerda marxista. Maria de Lurdes era sua aluna e apoiante da UDP. 

A autoria do atentado foi atribuída ao Movimento Democrático de Libertação de Portugal (MDLP), uma organização de extrema-direita liderada pelo General António de Spínola. 

O Padre Max representava uma fação da Igreja Católica progressista, próxima do povo, preocupada com o bem da comunidade e disposta em contribuir na construção de uma sociedade melhor. A Maria de Lurdes representava toda uma geração revolucionária, com vontade em mudar a realidade que a envolvia. 

Apesar das investigações e das acusações, os autores do crime nunca foram condenados. Aliás, algumas das pessoas relevantes para o caso já faleceram. 

No dia em que se assinalam os 45 anos do homicídio do Padre Max e da Maria de Lurdes, como homenagem, mais de 300 pessoas assinam um documento em sua memória. Luís Fazenda é o promotor da iniciativa que conta também com o apoio do Bispo Emérito D. Januário Torgal Ferreira. 

Manuel Almeida

Menu