A aposta na ciência e no ensino superior permitiram fazer a diferença na COVID-19

Por: Fontainhas Fernandes, Reitor da UTAD

A grave crise provocada pela COVID-19 causou problemas de saúde pública e gerou problemas económicos, sociais e políticos de grande complexidade.

Desde a primeira hora, as Universidades responderam aos problemas cedendo instalações e equipamentos médicos, procuraram soluções para as situações que foram surgindo, colocando-se ao serviço do país. Refira-se, a título de exemplo, a rede de centros de realização de testes da COVID-19 criada em todo o país.

Esta crise revelou que o trabalho desenvolvido, ao longo dos 40 anos de democracia, pelas instituições do sistema científico e de ensino superior, na produção e difusão de conhecimento, na formação de profissionais altamente qualificados e na capacitação das instituições e organizações públicas e privadas, constitui afinal a base mais sólida para responder a qualquer crise.

Os sistemas de saúde não estão, em nenhum país, dimensionados para enfrentar crises de saúde pública como a presente. Contudo, no caso de Portugal, a qualidade profissional dos quadros formados nas nossas instituições de ensino superior, tem sido decisiva, quer daqueles que estão na primeira linha do tratamento da doença, quer dos técnicos e investigadores que os apoiam.

Perante a crise, foi ainda determinante a capacidade do sistema científico, hoje altamente internacionalizado, para produzir e difundir conhecimento científico e tecnológico nas áreas das ciências da vida e da saúde, ciências e tecnologias digitais aplicadas e ciências sociais.

As Universidades revelaram, durante esta crise, uma inesperada capacidade e competência no uso das tecnologias de informação e comunicação para o ensino à distância, para a produção de conteúdos digitais e para o trabalho em rede, tendo transitado para o ensino não presencial em cerca de uma semana, garantindo assim, a todos os estudantes, a conclusão das atividades letivas bruscamente interrompidas.

É por isso necessário continuar o investimento e o desenvolvimento do sistema científico para a produção e difusão de conhecimento, na investigação de translação, com o reforço da formação de investigadores.

Porque a crise mostrou que a aposta na ciência e no ensino superior permitiu fazer a diferença.

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