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A Europa ateia

Há muito que algumas vozes vêm proclamando que dentro de poucos anos, a Europa deixará de ser cristã e passará a ser muçulmana.

Se isso me preocupa, direi que não.

De forma egoísta, responderei que já cá não estarei. Isso, por um lado.

Depois, acrescento que é melhor as pessoas terem uma religião do que não terem religião nenhuma, desde que isso as ajude a serem melhores, a respeitarem os outros e a viverem em paz.

Apesar das guerras e conflitos que sempre existiram, são muitos os exemplos de países onde os praticantes das diversas religiões têm vivido em sã convivência uns com os outros sem problemas. São exemplo disso os judeus que, apesar do que se passa em Israel, desde a destruição do templo, no ano 70 d.c., se espalharam por toda a bacia do Mediterrâneo e viveram e ainda vivem em vários países onde predominam os praticantes de religião muçulmana: Marrocos, Turquia, Argélia, Egipto, Tunísia, para já não falar em todos os países europeus.

O futuro não será muito diferente, disso tenho a certeza.

Por outro lado, as novas gerações pouco ligam à religião, seja ela qual for. Os praticantes de uma religião serão cada vez menos, como se começa a ver em todo o mundo.

Será isso bom? Não sei. Espero que não seja mau.

Mas a pergunta que quero colocar é esta. O que tem feito a Europa em defesa dos valores cristãos em que se formou e em que radica a sua cultura? Que importância tem dado a Europa, os cristãos europeus e as diferentes instituições da Europa e de cada um dos países europeus em defesa e promoção da religião ou religiões cristãs e dos seus valores?

Vejam-se as notícias de toda a comunicação social, em que tudo é colocado em causa. Todos os princípios e valores que são defendidos pelos cristãos e até certo ponto pelas demais religiões, são continuamente discutidos, postergados, anulados e combatidos, pelo menos por um certo sector da sociedade europeia, ainda imbuída de ideologias totalitárias, sejam elas de esquerda sejam de direita, mas com predominância para as primeiras. Em Portugal, os exemplos são evidentes, com os partidos de extrema-esquerda a combaterem tudo o que sejam  valores religiosos.

Mas a própria Comissão Europeia, imbuída de valores nada cristãos, todos os dias apresenta propostas aparentemente muito humanistas, mas esquece permanentemente de onde nasceram os grandes desígnios europeus e toda a sua cultura, os valores, os princípios defendidos pelos pais fundadores da Europa e da actual União Europeia.

Estamos no Natal. A Comissão Europeia preparava-se para emitir um postal de Boas-festas, sem qualquer menção ao Natal. Talvez para não ferir susceptibilidades. Que pessoas se preocupam com a comemoração do Natal pela maioria das pessoas que habitam este espaço? Porquê esta preocupação? Esquecem-se que a maioria dos muçulmanos até respeita o Natal? Não sabem que, em muitos países onde a religião muçulmana é maioritária, há famílias muçulmanas que se juntam a famílias cristãs para celebrar o Natal? Sinal que essa festa cristã lhes diz algo. Assim acontece em muitos países muçulmanos em que as famílias se convidam umas às outras nas diferentes festividades e participam até nas mesmas independentemente das suas religiões?

O que é que motivou a retirada geral de todas as repartições de todos os países de símbolos religiosas. No caso dos cristãos, os cruxifixos das escolas e repartições públicas. Na maioria dos casos não foram os muçulmanos a exigir tal acto. Pelo menos os muçulmanos sérios e religiosos que são a maioria. Terão sido os fanáticos? Ou terão sido os europeus a quem a religião nada diz ou que combatem qualquer religião, porque ainda a consideram “o ópio do povo”?

Uns e outros têm de ser respeitados, mas combatidos e se não perceberem, ser-lhes explicado, que a liberdade com que muitos enchem a boca, também tem a ver com a prática ou não de uma qualquer religião. Ponto!

NOTA: E porque estamos no Natal, hoje fico por aqui, apesar de haver muitos assuntos que mereceriam um comentário da minha parte e certamente, haver alguns dos meus leitores que estariam à espera que eu fosse por aí. Para a semana que vem há mais

MÁTRIA: Contudo, não posso deixar de falar, ainda que por alto, sobre o formidável espectáculo a que Vila Real teve oportunidade de assistir de sexta a Domingo passados. Tratou-se da estreia mundial da ópera MÁTRIA, com música do bem conhecido músico Fernando Lapa, e libreto da vila-realense Eduarda Freitas, que nos vem surpreendendo com a sua actividade intensa nesta área. Vila Real fica no mapa com acções deste género. Esperamos que finalmente os órgãos de comunicação social a nível nacional se inteirem do que aqui se vai fazendo e que não se fiquem apenas pelos sítios do costume.

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