A receção do Concílio Vaticano II na Diocese de Vila Real

Decorreu, no passado dia 11 de junho, na Igreja de Santa Maria Maior de Chaves, a última conferência do Primeiro Ciclo de Conferências do Centenário da Diocese de Vila Real com o tema “A receção do Concílio Vaticano II na Diocese de Vila Real”, tendo sido apresentado por D. Gilberto Délio Canavarro dos Reis, bispo emérito de Setúbal.

O Concílio Vaticano II decorreu entre 11 de outubro de 1962 e 8 de dezembro de 1965 e trouxe um grande florescimento à Igreja. No entanto, a fase de adaptação durou alguns anos e, embora tendo já passado mais de meio século, continuamos a recebê-lo, a refletir sobre ele, procurando colocá-lo em prática. D. Gilberto, natural do concelho de Vila Pouca de Aguiar, conheceu a realidade da Igreja diocesana antes e depois do concílio, tendo a felicidade de participar neste concílio em Roma.

O bispo emérito de Setúbal destacou três grandes desafios, que devem marcar a vida da Igreja: centrar a Igreja em Jesus Cristo; viver em comunhão e viver numa Igreja ao serviço do mundo.

O concílio centrou-se em grande parte na reforma litúrgica, na participação de uma assembleia celebrante, na abundância da Palavra de Deus e na alteração do latim para a língua local. «Os padres mudaram a missa», dizia o povo, habituado a rezar o terço, enquanto o sacerdote celebrava a missa em latim. «O povo não entendia, mas aceitava», testemunha o prelado.

A Igreja «tinha necessidade de ir de novo ao encontro da Igreja dos primeiros tempos», afirma D. Gilberto. Portanto, houve na diocese vários cursos bíblicos nas paróquias, bem como leitura-orante da Sagrada Escritura.

O mesmo aconteceu com os cânticos. «Não havia cânticos em português», afirma D. Gilberto e, por essa razão, os primeiros cânticos eram adaptações que se faziam, a partir de melodias mais conhecidas. Hoje encontramos já um grande trabalho feito nesta área, desde os salmos responsoriais até aos restantes cânticos da eucaristia.

Para concluir este momento de reflexão, D. António Augusto Azevedo, Bispo de Vila Real, agradeceu as palavras de D. Gilberto, elogiando a sua profunda experiência e belíssimo testemunho deste tema tão importante. Nos cem anos da diocese, quase sessenta são marcados pela reforma e pela nova forma de estar e servir a Igreja.

O encontro decorreu de forma presencial, sendo também transmitido para os meios oficiais da diocese. No próximo ano haverá o Segundo Ciclo de Conferências.

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