Antigo Padre de Vila Real acusado de abuso sexual deixou o sacerdócio

Heitor Antunes, antigo padre da Diocese de Vila Real, que foi alvo de uma investigação por abuso sexual de menores em 2015, deixou definitivamente o sacerdócio, com autorização do Papa Francisco.

O Bispo da Diocese de Vila Real, D. António Augusto Azevedo, confirmou esta semana ao Observador que o Padre Heitor “pediu a redução ao estado laical que já foi concedida pelo Papa”.

Segundo o mesmo jornal, o Padre Heitor Antunes estava atualmente a trabalhar num lar do Padre Ernesto Lúcio, que, em 2017, foi alvo de um processo canónico por duas razões: primeiro, porque assumiu a paternidade de duas filhas já adolescentes, e, segundo, porque estava a ser investigado por suspeitas de desvio de dinheiro na instituição que liderava, a Cáritas Diocesana de Vila Real.

Segundo a investigação de abuso sexual de menores, o Padre Heitor Antunes, que foi pároco em Nogueira e Andrães, duas freguesias do concelho de Vila Real, “iniciou em 2002 uma relação de intimidade com uma catequista de 12 anos”, na paróquia de Nogueira, “que evoluiu para uma relação física quando a jovem ainda era menor de idade e que culminou, mais tarde, numa gravidez”.

Durante vários anos, o padre, natural de Mourilhe, no concelho de Montalegre, manteve a relação com a jovem, que se prolongou até à idade adulta, tendo engravidado aos 23 anos. Num primeiro momento, o padre recusou a paternidade da criança e, na comunidade, a jovem mãe chegou mesmo a ser responsabilizada pela relação.

Processo não avançou porque o caso prescreveu

De acordo com a mesma fonte, o caso chegou às autoridades em 2015, após uma queixa anónima. Mesmo depois de a vítima ser ouvida pela PJ, o caso não avançou mais por ter prescrito. A vítima tinha, à época, 24 anos de idade e teria de apresentar a queixa até seis meses depois de completar 18 anos.

Depois de a Diocese de Vila Real ter conhecimento do caso, em 2016, Heitor Antunes foi transferido para o Canadá, onde foi sacerdote junto de uma comunidade emigrante. A saída foi justificada, pelo então Bispo Amândio Tomás, como uma “situação pessoal”.

Em 2019, após uma reportagem publicada pelo Observador, a Diocese de Vila Real confirmou que tinha aberto uma investigação interna ao caso. Apenas duas semanas depois, o Bispo suspendeu o padre Heitor e ordenou-lhe que regressasse a Portugal.

Entretanto, em março do mesmo ano, após a abertura do processo canónico, também a diocese canadiana decidiu suspender o sacerdote das funções que desempenhava naquele país.

Com a renúncia a sacerdócio, que acontece agora, Heitor Antunes fica, assim, formalmente “dispensado de todos os deveres e obrigações”, como por exemplo o celibato.

Filipe Ribeiro

Nota:

Ao abrigo do Direito de Resposta, pode ler-se o seguinte pedido de esclarecimento aqui.

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