Aonde nos levará este vírus

Caseiro Marques

A pneumónica ou febre espanhola apareceu na Europa, no final da Primeira Grande Guerra. Pouca influência terá tido no desfecho deste conflito mundial. Conhecem-se os números e militares infectados em ambas as partes do conflito. Sabe-se que os alemães tiveram de retirar da frente de combate alguns milhares de homens. Mas, como apareceu nos primeiros meses de 1918 e a guerra terminou nesse ano não terá sido determinante em relação ao que se passou até final do ano.

Com este vírus que agora nos assola, a todo o mundo, as coisas podem ser muito diferentes.

Começa logo por não se saber exactamente como é que aparece este vírus, dado que a China não diz tudo o que sabe, ainda agora, como não disse quando tudo começou. A China preferiu esconder o que se passava no seu território, à boa maneira de todas as ditaduras, onde tudo é, aparentemente, para as massas subjugadas e para o exterior, um mar de rosas, tudo corre às mil maravilhas, não há problemas insolúveis. E se aparecem são abafados e fazem-se desaparecer os alegados detractores do regime. Assim se passou na China, como é público e sabido, desde há muito.

Veja-se que mesmo o número de mortos, na China, está hoje a ser posto em causa, por fontes diplomáticas e até por altos responsáveis do próprio regime. Isso é grave e ainda se vai ver quais as consequências desse encobrimento intencional. As notícias de hoje, dia 30 de Março, falam em dezenas de milhares de caixas funerárias com as cinzas das pessoas que faleceram e que estarão a ser entregues aos familiares para poderem fazer um luto que não foi possível fazer antes, tal a dimensão da tragédia e as regras rigorosas impostas pelo Governo ditatorial de Pequim.

É por isso que me escandaliza o bater de palmas por parte de algumas pessoas e de alguns governos, mesmo europeus à ajuda que está a chegar da China. Como pode ser elogiada a acção pseudo altruísta de uma ditadura que não respeita os mais elementares direitos humanos. Um regime onde não existe liberdade de expressão, liberdade religiosa. Onde católicos, protestantes e muçulmanos são presos, deportados, reduzidos à mais miserável condição! E não estamos apenas a falar do povo. Estamos a falar dos crentes de outras religiões proscritas na China e dos seus dignitários, como tem acontecido desde os tempos de Mao e continua a acontecer nos nossos dias, em relação a bispos católicos ligados a Roma.

Ora, um regime que assim procede, que castiga o seu próprio povo, é capaz de tudo. E tudo é mesmo tudo. Há coisas que um regime destes pode fazer, sem que os mais distraídos vejam o logro em que estão a cair ao acreditarem nas pseudo boas intenções do Governo de Pequim

1 – POSSO FAZER UMA PERGUNTA?

HÁ apenas mês e meio atrás andava meio mundo ocupado a discutir a eutanásia, como se estivesse nisso a salvação das pessoas, de Portugal, da Europa, do mundo. É ou não verdade?

Muitos se afadigaram a mostrar vídeos – poucos. Diga-se a verdade! – de um ou outro indivíduo que dizia estar a pedir que o deixassem morrer. E passavam esses vídeos na televisão, como se de um filme se tratasse. Tentavam fazer passar a mensagem que em países como a Bélgica, Holanda e Dinamarca, eles é que estão certos. E nós, com um governo de esquerda, progressista, dizem eles, não podemos ficar para trás. Tudo corre bem. Nesses países, comas leis que têm, não há atropelos à lei e aos direitos mais fundamentais do homem. Por cá, uma maioria de deputados aprovou as bases daquilo que pode vir a ser a nossa lei sobre a eutanásia. Tomei posição na altura sobre o assunto.

Mas, agora, que veio um vírus que está a provocar uma razia naqueles exactamente para os quais se pede a aplicação da eutanásia, que são os mais débeis, os doentes, os velhos, vemos como os Estados se atropelam para adquirir ventiladores, máscaras, testes e os demais esquipamentos para fazerem face à crise sanitária que os atingiu.

E, então, pergunto: Já viram alguém dos que apoiaram a eutanásia vir de novo falar no assunto? Viram alguém a apresentar um único caso de um doente atacado pelo Corona Vìrus, a pedir a eutanásia?

Que bando de hipócritas!

Aprendi com o meu saudoso pai, há mutos anos, que a chuva e a morte nunca se pedem. Elas virão, quando tiverem de vir. Por aquilo a que estamos todos, o mundo inteiro, a assistir, o meu pai tinha inteira razão.

Queriam a eutanásia? Aí a têm, meus senhores. E, quando voltarem ao assunto, pensem duas vezes antes de decidirem.

2 – DR ANTÓNIO JÚLIO

Uma pequena nota sobre este médico natural de Sabrosa, falecido há poucos dias, com o qual tive a felicidade de conviver ao longo de mais de trinta anos. Grande impulsionador da prática das caminhadas pelas nossas serranias, a ele se deve muito do entusiasmo que essa actividade ganhou em Vila real, na região e esmo em Portugal. Com outros, foi a Fátima, a Santiago, a Lourdes e a Roma, a pé. Devo-lhe para além da amizade, a receita para a prevenção do ácido úrico: todos os dias como umas quantas pevides de abóbora, com casca e tudo.

Por tudo isto, obrigado Dr António Júlio. Descanse em paz. Não mais o esqueceremos.

AF Caseiro Marques

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