Após percorrer 90 km, cadelinha Becas regressou a Fermentões

Becas, uma cadelinha de 7 anos, de Fermentões, Sabrosa, estava desaparecida há cerca de oito dias e, após horas de busca, Preciosa Guedes, a dona, não esperava que a história, apesar de insólita, terminasse desta forma.

Tudo começou no passado dia 30 de agosto, quando Preciosa Guedes chegou a casa e não viu Becas. “Num primeiro momento, não estranhei, dado que como vivemos perto do monte, ela e os outros dois cães de caça, costumam ir para lá e gostam desse ambiente”, explicou.

Todavia, no dia seguinte, ainda não havia sinal da amiga de quatro patas, e Preciosa decidiu fazer uma publicação nas redes sociais, para ver se alguém encontrava a Becas.

“Cheguei a receber mensagens de duas pessoas que achavam que a tinham visto em São Martinho e em São Cibrão, mas verificamos que não era ela. Entretanto, iam passando os dias e começamos a perder esperança de a encontrar”, contou a dona de Becas.

Todavia, na manhã de dia 7, o pai de Preciosa Guedes, recebeu uma chamada de Vizela, por parte da Associação Coração Azul, a dizer que tinham recolhido uma cadelinha cujo microchip estava associado ao seu contacto. “Lembro-me de que, quando o meu pai me telefonou a avisar, eu lhe respondi: em Vizela? É mesmo verdade? Como é que a Becas foi lá parar? Mas era mesmo verdade”, relembrou Preciosa.

Assim, na tarde do mesmo dia, foram a Vizela e, quando a voluntária da Associação Coração Azul foi buscar a cadelinha, que veio a correr em direção aos donos, não houve sombra de dúvidas, era a Becas. “Foi uma felicidade muito grande, após tantos dias sem notícias”, explicou Preciosa Guedes, referindo que tinha as almofadas das patas irritadas e vermelhas.

Ao NVR, Adriana Almeida, presidente da associação, explicou que, mal acolheram Becas, efetuaram o procedimento habitual. “Quando recebemos um animal, alimentamo-lo e verificamos se está bem. No caso da Becas, quando chegou, estava com fome e muito abatida, por isso, após alimentá-la e dar-lhe água, deslocamo-nos ao veterinário que, após uma ecografia, nos disse que estava tudo bem e que só era cansaço. Além disso, verificou que possuía um microchip o que nos permitiu entrar em contacto com a proprietária”, declarou a responsável, referindo que o microchip foi fundamental em todo o processo.

Após este périplo, Becas regressou a casa e, a primeira coisa que fez foi dar uma corrida com os dois amigos que a aguardavam em casa. “Mal chegamos a casa, a Becas fez uma festa com os amigos. Acredito que ficou feliz por vê-los, dado que um dos cães é filho dela”, acrescentou Preciosa, relembrando aos proprietários de animais a importância do microchip, uma vez que, sem esta ferramenta, teria sido impossível recuperar esta cadelinha aventureira.

De referir que, apesar de estar sonolenta, Becas está bem de saúde.

Associação Coração Azul

A Associação Coração Azul é uma associação juvenil de apoio aos animais, fundada em 2011, com o objetivo de dar resposta à falta de sensibilização da população para a causa animal, essencialmente na sua zona de ação, Vizela e arredores.

Desde então, a associação tem crescido, criando projetos no âmbito da causa animal e ambiental, através dos quais sensibiliza adultos e jovens, com visitas às escolas.

De salientar que este ano, já procedeu a 42 adoções, “que vão a caminho das 43”, o que para a representante, tendo em conta a situação atual, “é um número bastante positivo”.

Cláudia Richard

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