BE contra arquivamento da classificação da panificadora de Nadir Afonso em Vila Real

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No passado dia 11 de abril, precisamente um ano após as denúncias de alegadas demolições parciais na fachada e cobertura do já muito degradado edifício Nadir Afonso, a Direção-Geral do Património Cultural (DGPC) arquivou o procedimento de classificação da antiga panificadora de Vila Real. A proposta para imóvel de interesse público tinha sido feita por um grupo de cidadãos.

A panificadora, projetada pelo arquiteto Nadir Afonso, em 1965, entre os edifícios abandonados e inacabados na cidade de Vila Real, requer uma prioritária requalificação urgente, como sugeria uma petição lançada no ano transato “Vamos salvar o edifício da Panreal — projeto Nadir Afonso”.

O edifício da panificadora destaca-se pelas suas linhas modernas e inovadoras, marca indelével de um pintor e arquiteto de grande capacidade criativa, Nadir Afonso, sendo um contributo inequívoco para a valorização da cidade de Vila Real, que no passado longínquo e recente não tem sido capaz de preservar outras obras de elevado valor histórico e arquitetónico. De notar que o edifico da Panificadora é o único projeto de autoria do arquiteto Nadir Afonso na zona de Vila Real.

Nesse sentido, o Bloco de Esquerda de Vila Real vê, portanto, com “estranheza” o arquivamento do procedimento de classificação da antiga panificadora sem uma única justificação válida. “É estranho e simultaneamente triste e contraditório que tendo a cidade homenageado, há um par de anos, a figura e memória do Arquiteto numa merecida sessão solene no museu da Vila Velha, com a presença da Vice-Presidente da Câmara Municipal de Vila Real, não haja vontade política de perpetuar esta homenagem a Nadir reclamando e recuperando o edifício da sua autoria. É importante recuperar e preservar património cultural, algo que a cidade de Vila Real cada vez mais se torna órfã, estando a pouco e pouco a perder as memórias materiais históricas da cidade.

De referir que, em 2014, o vereador do urbanismo da Câmara de Vila Real, Adriano Sousa, via com bons olhos a requalificação da panificadora, que classificou como uma referência na cidade, adiantando que pretendia reunir com o proprietário no sentido de serem encontradas soluções.

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