BE: José Soeiro reuniu com antigos trabalhadores do Miraneve

José Soeiro, Deputado do Bloco de Esquerda na Assembleia da República, reuniu, esta segunda-feira, com os ex-trabalhadores da Miraneve Sociedade Hoteleira, Lda., junto ao Pelourinho, em Vila Real.

Recorde-se que o BE já questionou o Governo sobre esta situação em que os trabalhadores tiveram o salário três meses em atraso e viram o seu processo de acesso ao subsídio de desemprego dificultado pela empresa.

Segundo o deputado, cuja presença foi solicitada pelos trabalhadores, esta é uma situação que os preocupa, dado que não se trata de um caso único. “Há muitas empresas que beneficiaram de apoios públicos e que, depois, não cumprem as contra partidas desses próprios apoios, salientou José Soeiro, salientando que o BE tem defendido o apoio à economia, todavia salienta que deve haver respeito pelos trabalhadores.

“Do nosso ponto de vista, não é aceitável que, neste caso, por um lado haja salários em atraso, por outro, informações falsas que são prestadas, nomeadamente à segurança social para simular que os trabalhadores continuam na empresa, quando eles já tinham saído…”, frisou, referindo ainda que há violação dos direitos laborais”.

No total, são 11 os trabalhadores que se despediram, “por justa causa”, ao fim de três meses de salário em atraso. Apesar disso, segundo os antigos funcionários, a segurança social não lhes atribui o apoio indicado, uma vez que a empresa recorreu ao Lay Off simplificado.

“Eu saí em junho do ano passado, porque estive três meses sem receber. Tivemos em casa sem qualquer notícia. Depois, quando soubemos que o Lay Off tinha sido aceite e que mesmo assim os salários não foram pagos, quando passaram os três meses, despedimo-nos”, explicou Ana Martins, antiga rececionista, que, quando fez o requerimento para o subsídio de desemprego, que foi dificultado pela entidade patronal que não assinou os documentos, não recebeu nada “porque os descontos estavam feitos e regularizados”.

“Nós sempre dissemos que se a empresa tivesse sido sincera connosco e se tivesse falado abertamente nós teríamos sido  mais compreensivos. Agora, mandar-nos para casa durante dois meses sem qualquer resposta nem justificação, quando temos hipótese tentamos buscar o que é nosso”, frisou a antiga funcionária, realçando que já foram chamados para uma tentativa de conciliação, na qual lhes foi dito que a empresa não tinha direito para lhes pagar. “Agora vamos seguir para tribunal para ver se conseguimos chegar a um acordo par anos pagarem”, acrescentou.

Para Hélder Magalhães, o ano também foi complicado, uma vez quem após cerca de 11 anos de trabalho, despediu-se no início do mês de março deste ano. “Foi um ano complicado para toda a gente, mas há formas de resolver e não foi toda a gente que agiu da forma como eles agiram. Se a situação estava complicada, era preciso falar, dar a cara e dizer a verdade”, defendeu o antigo funcionário, referindo que acabou por “não iniciar o processo na segurança social, porque não foi dada resposta ao requerimento, teve de intervir a ACT” e, entretanto, começou a trabalhar.

O deputado José Soares diz que “apesar dos graves incumprimentos durante este período e de atualmente estar em falta com o pagamento de cinco meses de salários e subsídios de férias e Natal, após ter empurrado cerca de uma dezena de trabalhadores para o desemprego, a empresa continua sem responder pelos atropelos cometidos e terá até contratado recentemente três novos funcionários.”

Contactado pela agência Lusa, Nuno Barroso, um dos responsáveis pela empresa, afirmou “que o Miraneve nunca teve cinco meses de salários em atraso”.

“Aliás, em 49 anos de existência e chegando a ter cerca de 30 funcionários, nunca teve salários em atraso de espécie alguma, só os teve em situação de pandemia e no máximo dois meses”, salientou o responsável. “Houve, no entanto, funcionários que se despediram por alegada justa causa e que estamos em fase de instrução no tribunal para averiguar se haverá direito a indemnizações e de que tipo, não tendo, até agora, o Miraneve sido considerado culpado ou obrigado a pagar qualquer valor a qualquer um dos funcionários”, explicou.

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