Carlos Moedas presente no Dia da UTAD

Na passada sexta-feira, aquando da celebração do 33º aniversário da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro UTAD (dia da UTAD), a Oração de Sapiência contou como orador o Comissário Europeu da Investigação, Ciência e Inovação, Carlos Moedas.

Aquando da sua elocução, Carlos Moedas dirigiu-se aos jovens estudantes, afirmando que eles são o futuro no combate que é a sustentabilidade, e que vão assistir a uma mudança extraordinária que afetara o mundo, incluindo o papel da universidade.

Uma transformação que o comissário europeu dividiu em três vertentes: a mudança do mundo do conhecimento, a transformação das instituições e a modificação dos cidadãos.

No primeiro caso, foi mencionado um modelo em que quem tinha acesso ao conhecimento era aquele que tinha mais oportunidades. Uma ideia que Carlos Moedas desmentiu dando o seguinte exemplo: “Há cinco anos atrás, um professor em Stanford fez uma experiência extraordinária: resolveu não só colocar o seu curso de primeiro ano online, mas foi mais longe e abriu o curso ao mundo para todas as pessoas que quisessem passar o exame. (…) E quando ele fez o teste, a melhor nota foi a de uma rapariga de 15 anos do Paquistão, e nos vinte melhores não havia um único aluno da universidade de Stanford”, contou. Um exemplo com o qual quis ilustrar a mudança da produção de conhecimento.

Continuando a sua intervenção, Carlos Moedas frisou a globalização dos programas de investigação que permite a pesquisa de disciplinas comuns a toda a comunidade através de pontos de vista diferentes e, entre outras coisas, a globalização da linguagem científica, ou seja, a partilha de conhecimento entre as várias áreas estudadas a que o comissário deu o nome de interdisciplinaridade. “Eu acho que esta evolução ao nível do conhecimento representa algo de único neste nosso século, porque é diferente. Nós passamos de uma capacidade interdisciplinar que se tornou numa especialização e, hoje, voltamos à interdisciplinaridade, mas num mundo digital, isso é muito diferente. A oportunidade é extraordinária (…) o vosso papel, enquanto universidade, estava condicionado pela geografia, mas, hoje, o que condiciona é a conectividade e a capacidade que temos ou não de transformar as universidades por dentro”, salientou.

Foi através deste raciocínio que Carlos Moedas chegou ao segundo ponto da mudança: a transformação das instituições que, segundo ele, hoje são “mais verticais, num mundo de maior democracia”, o que leva à incapacidade de absorver o contributo dos cidadãos para a ciência, criando, assim, um distanciamento entre ambos.

CR

Notícia completa na edição nº 660, já nas bancas.

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