Comemorar La Lys

Opinião

 

A Batalha de La Lys, assim chamada pelos portugueses porque no território onde estacionou a  2ª  Divisão do Corpo Expedicionário Português (CEP), um dos cursos de água tinha esse nome, foi a última grande batalha do exército português, que envolveu várias dezenas de milhares de soldados, integrados em 24 batalhões de infantaria, a que juntavam esquadrões de cavalaria, companhias de artilharia, companhias de ciclistas; secções divisionárias de observadores, secções móveis veterinárias. Na rectaguarda, em apoio havia depósitos que serviam as várias armas, bem como de material sanitário, hospital, depósito de material veterinário, depósitos de  fardamento e  de munições, enfim de tudo aquilo que era necessário  para uma situação de guerra. Em França, estiveram mais de 55 mil militares. Sob o estandarte do B.I. 13 combateu mais de um milhar de homens.

O ataque alemão, uma autêntica chuva diluviana de bombas, no dia 9 de Abril de 1918, apanhou o C.E.P. de surpresa, pois nesse mesmo dia estava para ser rendido pelos ingleses. Quando o bombardeamento começou às 4h15 minutos nenhum português imaginava que ia ter o dia «mais longo» da sua vida militar em teatro de guerra. Até os mais esclarecidos, certos oficiais, pensavam que aquele ataque era só mais um. Uma espécie de raid de retaliação a bombardeamentos feitos nas vésperas pelos portugueses. Puro engano. As horas passavam, o nevoeiro da madrugada teimava em não levantar e os alemães não paravam com o bombardeamento. Cedo os alemães chegaram às primeiras linhas, desbaratando as companhias lusas, ali colocadas pelos ingleses, para  servirem de «carne para canhão».  A ordem do comando inglês era a de que os portugueses morressem na linha B.  O incrível acontecia. Para os ingleses saírem vitoriosos desta batalha era absolutamente necessária a hecatombe portuguesa. E os soldados portugueses, sem escapatória,  naquele dia resistiram quanto puderam. Da rectaguarda não havia qualquer auxílio, porque esta não sabia o que se passava nas trincheiras das linhas A e B. Os alemães tinha conseguido cortar as linhas telefónicas. Informações só por estafetas a pé ou de bicicleta. Mas se estes partiam, raramente voltavam.

Em La Couture estacionara desde o dia 6 o B.I. nº 13, rectaguarda da brigada. Sem ter tempo de reconhecer o terreno, onde eram todas as trincheiras, sentiu o estrondo das primeiras granadas a cair nos seus «quarteis», melhor nas casas das quintas (fermes) onde se instalaram. Na tarde do dia 10 os militares do 13, já sem munições, renderam-se, ao poderio das armas alemãs. Mas… nas vizinhanças de La Couture havia  duas mãos cheias de militares do 13, sob o comando do capitão David Magno, da 3ª  companhia do 13, que junto de escoceses lutavam, lutavam até à exaustão até dia 11. Foram os últimos a render-se nesta batalha.

Apesar da Batalha de La Lys ter sido, em termos tácticos imediatos, uma derrota para o C.E.P., a mesma acabou por dar origem a uma vitória estratégica para as forças aliadas. O esforço português contribuiu de algum modo para impedir que o exército alemão tivesse alcançado o seu objectivo último: empurrar os ingleses para o mar.  Se no final do dia 12 de Abril de 1918 o C.E.P. estava desfeito, a Operação Georgette estava praticamente acabada e derrotada.

Honra e glória  aos mortos e aos que sobreviveram em La Lys.

As comemorações do centenário da Batalha de La Lys iniciam-se, em Vila Real, no próximo dia 2 de Abril, segunda-feira, com a apresentação, pelas 20,30 horas na Câmara Municipal de Vila Real com a apresentação do livro Vila Real-R.I. 13, Memória da Grande Guerra, seguida da  abertura de uma grande exposição iconográfica da Grande Guerra organizada pelo R.I. 13 (ver noticia noutro local). O Grémio Literário Vila-Realense no dia 7 celebra a mesma data e, no dia 9, segunda feira é o dia da unidade do R.I.13 e o Dia da Infantaria, com um programa próprio que sublinhará o esforço de guerra de Portugal na Grande Guerra.

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