Como ganhar as eleições

Sou insuspeito de outras filiações, pois como já aqui escrevi algumas vezes – mas para os mais distraídos nunca é demais repetir para evitar mal-entendidos – sempre votei no PSD, com uma única excepção, quando votei no CDS, dirigido na altura por uma pessoa que eu e muitas pessoas admiravam, que foi o Dr. Lucas Pires, um dos poucos e grandes democratas, referência para muitos portugueses, pela sua coerência, altruísmo, empenhadamente desinteressado na vida política, à semelhança de Sá Carneiro, Amaro da Costa, Hernâni Lopes e não muitos mais.

Tenho apreciado a postura de Rui Rio, como aqui também já escrevi, quando afirma que, para ele, primeiro está o País, a seguir o partido e só depois ele próprio como político.

E não tenho dúvidas de que Rio pensa assim e age desse modo, ao contrário de muitos outros que dizem uma coisa e fazem outra. Ele já deu provas de ser pessoa honesta e de cumprir o que promete e cortar a direito sempre que está em causa o interesse do país, das pessoas em geral e o do partido apenas depois disso. A título de exemplo, veja-se a sua acção quando foi Secretário-geral do PSD e meteu na linha os caciques do PSD que, como igualmente aqui escrevi recentemente, manipulavam os resultados nas concelhias pagando quotas de pseudo-militantes que controlavam, para ganharem as eleições na base e, assim, poderem influenciar o poder político nas Câmaras e juntas de freguesia e obterem para si benefícios de toda a ordem, a começar nos empregos para familiares, amigos e apaniguados, para não ir mais longe a mencionar outro tipo de favores de que aufere quem está perto do poder ou o pode controlar dessa forma.

Rio sofreu as consequências dessa sua atitude ao longo destes anos sempre que houve eleições no PSD, como se viu no distrito de Vila Real, nas últimas eleições internas. Mas vamos adiante para o que agora interessa.

Rio pode ser uma pessoa bem-intencionada e revelar que pode fazer reformas importantes se tiver o poder nas mãos.

O problema é que para governar, ele tem de ganhar as eleições legislativas do próximo o dia 30 deste mês. Acontece com todos os que se candidatam nos regimes democráticos a cargos de governação. E isso é para Rio o mais difícil. Viu-se bem nos debates que tem mantido com outros dirigentes partidários nos últimos dias. O exemplo acabado foi o debate com Ventura, do Chega.

Ah! Ele não quis ser demagógico como o seu adversário da direita. Ele não é populista. Nunca poderia ter a atitude e usar a mesma linguagem de André Ventura. Isto dizem muitos nomeadamente na área do PSD. E eu respondo: é verdade. Mas deixou-se conduzir por aquilo que Ventura foi afirmando sem o rebater com convicção, preferindo entrar numa resposta aos argumentos e propostas do dirigente do Chega. Ora, isso não funciona em política. Rio tem de ser directo e dizer claramente ao que vem.

Rio tem de dizer aos portugueses quais são as suas propostas concretas para reformar o Estado e conduzir a nossa vida económica e política ainda que algumas propostas possam parecer radicais.

Não tenho dúvidas que algumas propostas que Rio tem para apresentar se podem assemelhar a algumas de Ventura como já percebemos. Mas se é assim não deve ter medo de as apresentar, captando os votos que, se o não fizer, se encaminharão para o Chega.

A ideia que Rui Rio dá é que de facto se encontra bem, no conforto e aconchego do centro político, seja isso o que for, pensando que essa atitude lhe trará de volta os votos que eram do CDS e do PSD e que estão a dirigir-se para as propostas do Chega e do IL.

Porque, deixem-se de tretas, uma boa parte do eleitorado do centro e de direita está farto de promessas e de ideias que aparentemente até são boas, mas depois não as vê concretizadas na prática de quem nos tem governado.

E, agora, pergunto eu: António Costa importou-se de esconder aos portugueses que iria aliar-se aos partidos da extrema-esquerda, defensores de regimes opressores, ditaduras das mais abjectas para conseguir os seus intentos? Um politicão! Governou o país estes seis últimos anos, apenas apoiado em duas ou três famílias de gente socialista, como se viu pela promiscuidade entre gente de negócios e governantes, familiares e amigos de uns e de outros. Haja em vista as relações de parentesco entre a maioria dos governantes socialistas dos dois governos de Costa.

Então, se Costa assim procedeu, qual é o mal de Rio dizer de forma clara, como já afirmou anteriormente, que se o Chega se moderar em algumas medidas, até pode fazer coligação com este partido! O Chega e Ventura não são nenhum papão! Apenas estão a captar os votos de portugueses descontentes.

E a verdade é que essa será talvez a única hipótese de Rio vencer as eleições e poder colocar o centro e a direita no Governo e implementar as reformas que tão necessárias são. Caso contrário, Costa continuará no Governo, apoiado nos partidos de extrema-esquerda que apenas pensam em exigir mais salário, maiores reformas, mais apoios sociais a esmo, sem critério e continuando a aumentar uma classe de subsídio-dependentes em que se baseia a sua acção, acastelando-se no poder por largo tempo até que o pântano nos submerja.

Com a esquerda no poder foram sendo criados apoios para tudo e mais alguma coisa, assim se enganando o povo. O descalabro e a desfaçatez chegou ao cume quando o Governo aumentou o salário mínimo e prometeu mais um apoio às empresas para o pagarem e outro apoio às empresas que pagarem um pouco mais acima do salário mínimo. Vivemos num país de fantasia, de máscaras e de faz de conta. Tudo por causa dos votos!

1 – ALELUIA! A Câmara de Vila Real efectuou a primeira a alteração na sequência das obras realizadas na Avenida: em frente à PSP, já se pode virar à esquerda de novo. Outras se seguirão, certamente. Reconhecer o erro é uma grande virtude.

Menu