COVID-19: lar de Vila Real sem recursos humanos suficientes para reabrir


O Lar da Nossa Senhora das Dores de Vila Real, segundo o responsável, Eugénio Varejão, está a enfrentar dificuldades em recrutar recursos humanos na área da enfermagem, para reabrir a instituição que, recorde-se, foi evacuada após a confirmação 88 casos de COVID-19. “O que nós estamos a fazer é tentar recrutar recursos humanos para trabalhar. Neste momento, aquilo que nos faz mais falta são os recursos humanos na área da enfermagem”, afirmou à agência Lusa Eugénio Varejão, presidente do conselho de administração da Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS).

No Lar de Nossa Senhora das Dores, foram efetuados 99 testes, dos quais 88 deram positivo. No entanto, até à data, não foram divulgados os resultados dos restantes 29 testes realizados pelo INEM a funcionários do lar que não se encontravam nas instalações quando foi detetado o primeiro caso de COVID-19, no dia 22 de março.

De relembrar que, aquando da evacuação da instituição, foram transferidos 53 idosos com COVID-19 para o Trofa Saúde Hospital, localizado em Vila Real, numa operação que mobilizou 50 operacionais e 25 viaturas entre bombeiros, PSP, Cruz Vermelha Portuguesa, Exército e Proteção Civil. Quantos aos 19 residentes restantes, entre os quais quatro não estavam infetados, já tinham sido retirados para outras unidades hospitalares.

Após a evacuação da instituição, o Exército procedeu à sua desinfeção para que este pudesse reabrir.

Contudo, segundo Eugénio Varejão, o regresso dos idosos à instituição está dependente dos recursos humanos e deixou um apelo “à sociedade civil”. “Se for profissional de enfermagem ou esteja disposto a fazer voluntariado ou se estiver desempregado e estiver disposto a fazer um contrato com o Lar de Nossa Senhora das Dores, nós estamos abertos a essa possibilidade”, salientou.

Segundo o mesmo, a maior dificuldade é a nível de enfermagem porque a “equipa está quase toda contaminada e quase toda de baixa”. Para além disso, Eugénio Varejão apontou que os “hospitais públicos contrataram nos últimos tempos muitos enfermeiros”, e, em consequência, o lar está “com dificuldade em arranjar pessoal”. Segundo a Lusa, o responsável explicou que são elementos da IPSS e equipas do Centro Hospitalar de Trás-os-Montes Alto Douro (CHTMAD) que estão a prestar “serviços de assistência e enfermagem aos residentes que, neste momento, estão no hospital da Trofa”.

Entretanto, algumas funcionárias com covid-19 foram contactadas para um regresso voluntário ao serviço para tratarem os idosos também positivos. “Aquilo que nos foi pedido, à direção do lar, foi para contactarmos as nossas funcionárias que testaram positivo para averiguar se elas, voluntariamente, estavam dispostas a regressar ao trabalho”, explicou, acrescentando que, para tal, “seria levantada a proibição de sair de casa”, já que estas colaboradoras se encontram em isolamento, e haveria “uma autorização para se descolarem entre a casa e o local de trabalho”. “Foi tudo voluntariamente e elas voluntariamente responderam que não estavam dispostas”, frisou.

Eugénio Varejão disse ainda que dedicou a semana toda a tentar “resolver a situação” e referiu que, após a descontaminação do edifício, agora estão a ser concluídas as limpezas, procedendo-se, depois, ao reabastecimento de géneros alimentares e medicação.

De recordar que, devido à cadeia de contacto identificada no Lar de Nossa Senhora das Dores, a Câmara Municipal de Vila real acionou, no dia 24 de março, o plano de emergência municipal.

O presidente da Câmara de Vila Real, Rui Santos, já disse que à volta desta cadeia de contacto foram infetadas cerca de 100 pessoas. No concelho de Vila Real, segundo o autarca, existem cerca de 150 pessoas com COVID-19.

Fonte: Lusa

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