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De quem é a culpa?

Por: Caseiro Marques

Temos a mania de dizer mal da forma como funciona o Estado, a Administração Central, as Autarquias, no fundo, os serviços públicos, em geral. E atiramos quase sempre as culpas para os agentes, os funcionários públicos. Estes são os que apanham com as nossas reclamações, as queixas e as faltas d e respeito e de educação que algumas pessoas manifestam quando acontece algo que não seja do seu agrado. E nem sempre com razão.

Como todos sabemos, o Estado que tudo controla, qual “big brother”, terrível, ameaçador, coscuvilheiro, que se mete em toda a nossa vida e mexe com tudo o que fazemos e mais gostaria de se meter. Através do Número de Identificação Fiscal (NIF) controla tudo o que fazemos, o que ganhamos, o que gastamos, o comemos e bebemos, onde vamos passear, se vamos ao cinema ou ao teatro, se lemos jornais, e até, para além de muitas outras coisas, se usamos papel higiénico em nossas casas.

Com o aparecimento dos telemóveis, preocupado, o Estado, através da Protecção Civil, alerta-nos para a aproximação de tempestades. Por vezes de forma exagerada, pois nada acontece. Mas alerta e muitas vezes de maneira aterrorizadora.

Preocupado, qual “pater famílias” protector da nossa saúde, até controla o açúcar e o sal que comemos. Em nossas casas até nos diz onde devemos tomar banho, pois obrigatoriamente temos de possuir uma banheira, ainda que não a utilizemos. Na estrada e na rua, impede-nos ou no mínimo dificulta-nos a nossa vontade ou mesmo necessidade de andar de carro. Até quer controlar o roubo de latas de atum nos supermercados.

A Assembleia da República, através dos deputados que elegemos periodicamente, aprova leis. O Governo faz o mesmo, aprovando Decretos-Leis e outras normas que são de obrigatoriedade universal. Muitas vezes, os primeiros a violar as leis são os deputados e os governantes. Mas isso é apenas má-língua da nossa parte, não é! Sim. Nós é que nunca estamos satisfeitos e gostamos de criticar por criticar e dizer que vivemos numa “república”, onde ninguém se entende.

Ora, uma prova de que nem sempre temos razão está no cuidado que a administração dos serviços de saúde e no caso concreto o Serviço 2424, da Direcção-geral da Saúde vem manifestando, principalmente desde que apareceu o famigerado vírus que dá pelo nome de COVID.

Quando apareceu a vacina contra a COVID, foram criados centros de vacinação. No caso de Vila Real, as pessoas foram chamadas a dirigirem-se às instalações do Regia Douro Park, em Andrães. Ali, havia boas instalações, espaço para estacionar os automóveis que chegavam de toda a região. As pessoas foram chamadas por ordem de idade, com marcação de dia e hora. Com um ou outro percalço, tudo se resolveu. Toda a gente foi vacinada e conseguiu-se resolver ou atenuar as consequências do sacana do bicho, que, dizem, veio da China.

Ora, o raio de “bicho” parece que ainda não desapareceu e está a voltar a atacar, o que, diz-se por aí, até vem a calhar para uma série de gente e principalmente para algumas empresas da área farmacêutica. E o Estado, de novo muito atento e pensando em nós, pobres, infelizes e descuidados cidadãos, resolveu aplicar-nos uma terceira dose da vacina não vá o diabo tecê-las e espetar connosco na cama ou, o quem seria ainda pior, nos hospitais. Coisa que o Governo não quer e o Presidente aconselha a não frequentarmos e, por tal, não ficarmos doentes. Que grande preocupação, que abnegados conselhos os de Marcelo. Beijemos-lhe as mãos, os pés e quem gostar, a boca. Ele agradece, pois adora beijos.

Solícito, o mesmo serviço 2424 do SNS, agora designado COVID19/GRIPE, está a convocar os portugueses, através de mensagem, para comparecerem em dia e hora marcada para serem de novo vacinados. A mim, o dito COVID19/GRIPE enviou-me uma mensagem para o telemóvel, no passado dia 13, fixando o dia 20 de Outubro e a hora: 9.52. Pedia-me para responder SIM/NÃO, até ao dai 13. Mais uma vez, fiquei admirado com a preocupação. Cumpridor como procuro ser, respondi afirmativamente. Casualmente, um amigo informou-me que agora o centro de vacinação já não era no Regia Douro Park, mas na antiga residência universitária, em Codessais. Caso contrário, eu teria comparecido em Andrães.

E, no passado dia 20, atravessei a cidade, de carro, já agora, e pelas 9.30, depois de conseguir encontrar um milagroso lugar para estacionar, apresentei-me à porta de entrada do dito centro de vacinação. Mas qual não foi o meu espanto, quando me deparei com uma fila enorme, onde mais de cem pessoas aguardavam, ao monte, que chegasse a sua vez de conseguirem aproximar-se da porta, subirem as escadas e poderem inscrever-se para serem vacinadas.

Quem me conhece, não me imagina a ficar calado perante tal situação e a esperar hora e meia ou mais, como mais tarde soube que esperaram pessoas das minhas relações. Tirei uma fotografia e pus-me na alheta. Embora reformado, não estou inactivo e tinha acordado outras actividades para o meio da manhã. Sempre pensei que quem mada no SNS tivesse aprendido alguma cosia com o sistema de vacinação inicial. Afinal, estava redondamente enganado. Perante isto, muito havia para comentar e para dizer. Mas deixo apenas uma pergunta, porque não tenho dúvida que assim é, e vai continuar, porque a maioria das pessoas não está para se preocupar e chatear. Os que protestam constituem uma minoria.

E ainda que a maioria dos funcionários públicos sejam bons profissionais, apetece parafrasear Camões: um fraco líder faz fraca a forte gente. Quando os governantes não prestam, o sistema não muda nada. Não basta mandar. É preciso dar os meios. E organização.

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