Demolição da Panreal “cumpre todos os requisitos legais”

O presidente da Câmara Municipal de Vila Real pronunciou-se hoje sobre a intervenção na Panreal, afirmando que tem um “sentimento duplo” relativamente à mesma, uma vez que, por um lado, sente pena pela impossibilidade de recuperação do edifício, mas, por outro, sente “alívio” pela retirada das ruínas que “eram uma lixeira e um sítio mal frequentado” que não trazia uma boa imagem à cidade. 

Segundo o autarca, o executivo municipal tentou sensibilizar o Lidl para a possibilidade de reaproveitar o espaço e dar-lhe um bom uso, contudo, essa hipótese foi imediatamente colocada de lado pela cadeia de supermercados. “Aquilo que eu desejava, enquanto cidadão, que durante muitos anos frequentou aquele espaço, é que tivesse sido possível, há cerca de 25 anos, ter encontrado uma solução que permitisse a reabilitação daquele espaço. Ora, isso, infelizmente, não aconteceu”, explicou Rui Santos. 

O edifício da Panreal, projeto assinado pelo reconhecido arquiteto e pintor flaviense Nadir Afonso, começou a ser demolido na segunda-feira, dia 17, pelo proprietário do terreno, o Lidl, com o objetivo de aumentar o estacionamento e ampliar a loja. Uma ampliação que obrigará o supermercado a encerrar durante 8 meses consecutivos, a partir do próximo mês de março. O início da demolição revoltou os seus defensores, nomeadamente a Associação Alter Ibi, que defende a sua reabilitação há cerca de três anos. 

Classificação de Imóvel de Interesse Público falhada

Entretanto, houve uma tentativa de classificação da panificadora como imóvel de interesse público nacional. Um processo que trouxe uma equipa técnica especializada para avaliar o espaço. No final da avaliação, em abril de 2018, o processo foi arquivado, uma vez que a equipa considerou que aquele espaço já estava em ruína e que não era recuperável. “Se a nível nacional foi entendido que aquele espaço estava em ruínas e não era recuperável a nível local, a nível municipal, tendo nós aqui em Vila Real, a Direção Regional da Cultura do Norte que conhece muito bem aquele espaço, não éramos nós que íamos dizer que aquilo não estava em ruínas, pronunciando-nos contra uma equipa altamente qualificada que definiu aquilo como irrecuperável”, frisou o autarca. 

Perante esta decisão, a Direção Regional da Cultura do Norte emitiu parecer favorável para a intervenção e a Câmara Municipal de Vila Real, após esse parecer favorável, seguiu os procedimentos normais e aprovou o licenciamento da obra. “Tenho a certeza absoluta de que o projeto que ali nascerá melhorará o aspeto daquela entrada para a cidade.  Sobretudo se tivermos em consideração a enorme reabilitação daquele quarteirão que a Câmara Municipal está a fazer no âmbito do Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano”, declarou o presidente, referindo-se à obra na antiga estação e zona envolvente.

Quanto às queixas que se têm ouvido relativamente à falta de informação por parte da autarquia, Rui Santos adiantou não saber “onde está a falta de informação”, uma vez que o processo sempre foi público e que a Câmara Municipal de Vila Real lançou, inclusive, um concurso de ideias e desafiou promotores privados a comprar aquele espaço para o reabilitar. “Nós não mandamos no dinheiro dos outros, não mandamos no património dos outros e tivemos que aceitar aquilo que o Lidl decidiu ali fazer, cumprindo os requisitos legais que estão previstos nos nossos instrumentos de ordenamento de território”, concluiu o autarca. 

Segundo a agência Lusa, a empresa que detém o Lidl sublinhou que, ao longo deste processo, desenvolveu “múltiplos esforços ao reunir com a família e a Fundação Nadir Afonso, sediada em Chaves, com a intenção clara de incluir uma componente de homenagem e memória do pintor”. No entanto, segundo a empresa, “à data, nenhuma das sugestões foi aceite”. Uma recusa que a viúva de Nadir Afonso justifica dizendo à Lusa que “nunca foi apresentado um projeto com dignidade”.

Cláudia Richard

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