Enara Teixeira: “Esta candidatura vem lutar por um distrito que tem carências”

Na passada sexta-feira, Enara Teixeira, candidata do Bloco de Esquerda pelo círculo eleitoral de Vila Real às eleições legislativas marcadas para o dia 30 de janeiro, marcou presença no estúdio da rádio Universidade FM para falar da sua candidatura.

A entrevista iniciou-se com uma pergunta relativa à intensão que fomentou esta candidatura. A candidata respondeu explicando que é do distrito de Vila Real, no qual vive, trabalha e nasceram os filhos. Razões pelas quais lutará por esta região “até ao último suspiro”. 

Quanto à vontade que classifica esta candidatura, a cabeça de lista realçou que o BE pretende “mostrar a todos os cidadãos aquilo que se passa dentro do Governo, que é a promoção da instabilidade”. “Esta candidatura vem lutar por um distrito que tem carências, mais do que faladas, que não tem um deputado eleito pelo bloco e isso nota-se nas necessidades que temos.

“Votar PS ou PSD é dar um tiro nos pés”

Quando questionada sobre a questão da desertificação, Enara Teixeira explicou que a falta de boas condições de vida, faz com que ninguém queira abandonar a capital para vir para o interior, realçando a possibilidade que o trabalho à distância abriria para o interior.

Além disso, reforçou que os principais candidatos não se preocupam com o interior e que votar neles “é dar um tiro no próprio pé”. “Se os dois principais candidatos não se preocupam com o interior, alguém me explique o que leva as pessoas a votar neles”, defendeu.

“O Douro pertence à sua população, aos pequenos produtores, não aos grandes”

Sobre o processo da Casa do Douro, a candidata do Bloco relembrou que “a Casa do Douro surge para defender o pequeno e médio produtor” e que o seu encerramento causou “o caos”. “A grande questão é: há interesse no regresso da Casa do Douro? A restituição da Casa foi aprovada em Assembleia da República, mas nós temos dois queixinhas, o PSD e o CDS, que foram fazer queixas ao Tribunal Constitucional que, depois de largas semana, chumba a restituição”, explicou, frisando que “o Douro pertence à sua população, aos pequenos produtores, não aos grandes” e que o abandono dos pequenos produtores tem causado a sua desistência no mundo da produção.

BE tem “grandes dúvidas” sobre Mineração do Lítio

No que diz respeito a mineração do lítio, a candidata explicou que o bloco tem uma posição concreta Na qual percebe que a população não tem conhecimento na totalidade do que significa ter uma mina na zona. “Estamos a falar de crimes ambientais graves. Por mais que venham dizer que fizeram um estudo de impacto ambiental, já sabemos o que é explorações fazem, nomeadamente ao nível da poluição de lençóis freáticos, do aumento de casos de cancro e do encerramento indevido das explorações”, explicou Enara Teixeira, esclarecendo que o partido tem grandes dúvidas sobre a forma de exploração, sobre a empresa que vai explorar e qual o retorno que a comunidade tem”.

Ferrovia é artéria da região e do distrito de Vila Real

Quando abordada a temática de ferrovia, a cabeça de lista referiu que a ferrovia é uma artéria da região e do Distrito essencial está ao abandono. “Estamos fartos de ouvir sucessivas promessas. Em 20 anos não se viu nada. A ferrovia traz trabalho, transporte, mobilidade, melhores condições de vida, ou seja, tudo vai melhorar”, relembrou.

Relativamente aos investimentos que trará a bazuca, a candidata refere que só chegarão através da regionalização: “se conseguirmos descentralizar as decisões de Lisboa para criar uma regionalização coerente, porque só quem cá está sabe onde é necessário investir, aí, acredito que chegar alguma coisa. Todavia, se continuarmos a ter um governo de direita ou se dermos a maioria ao PS, a situação vai continuar”.

Ainda sobre a temática da regionalização, Enara Teixeira referiu que “é um processo crucial que necessita de ser bem pensado”, uma vez que não pode existir “para os mesmos continuarem a ser alimentados”. “A regionalização tem de ser pensada de uma maneira diferente. Não acredito que as comissões de coordenação sejam capazes de dar a resposta de que necessitamos. A regionalização é urgente e a estrutura Deve ser pensada de uma forma mais intensa”, concluiu.

CR

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