Faleceu António Costa Paulo aos 81 anos

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Deixou-nos, ontem, uma lenda do motociclismo nacional. António Pinto da Costa Paulo, uma figura incontornável da sociedade vila-realense, ligado ao desporto motorizado, faleceu aos 81 anos.

Desde sempre ligado ao Circuito Internacional de Vila Real, Costa Paulo somou vitórias, dentro e fora de pista. Além de sócio-fundador do Clube Automóvel de Vila Real (CAVR), fez parte da Federação de Motociclismo, foi ainda diretor de prova, comissário técnico e, claro, piloto.

Venceu a prova inaugural do Autódromo do Estoril, em 1972. Projetou e concebeu a famosíssima Famel Zundap XF-17. Teve um papel preponderante, durante décadas, na organização das corridas em Vila Real. Outros feitos se poderiam somar ao seu currículo interminável… O “cheiro a gasolina”, de que tanto gostava, nunca mais será o mesmo.

Foi homenageado pela Câmara Municipal com a Medalha de Mérito. Em Águeda, recentemente, foi homenageado em Águeda por um grupo de fãs que o surpreenderam com a oferta de uma verdadeira Famel XF-17 totalmente personalizada. A última homenagem pública seria em 2017, pelo CAVR e a autarquia local, durante o WTCC, depois de uma exibição de motas no Circuito de Vila Real.

Em 2015, numa reportagem a propósito do reeditado Circuito Internacional de Vila Real, o NVR conversou com Costa Paulo, que recordou alguns feitos de uma longa carreira ao serviço do desporto motorizado.

 

Costa Paulo: “o irresistível cheiro a gasolina está de volta”

António Pinto da Costa Paulo é, aos 78 anos, uma lenda vida do motociclismo português. Somou prémios em todas as categorias, ao longo de décadas, mas são as corridas de Vila Real, na sua cidade, que o fazem sonhar mais alto. Vê com bons olhos o regresso do circuito e considera uma boa cartada a manutenção do WTCC em Portugal.

É uma das personalidades com maior experiência no circuito de Vila Real. Para além de sócio-fundador do Clube Automóvel de Vila Real (CAVR), fez parte da Federação de Motociclismo, como membro destacado para Vila Real, foi ainda diretor de prova, comissário técnico e, claro, piloto.

A sua ligação ao circuito começou em 1964, com a organização das primeiras corridas de Karting. A partir daí, foi comissário de pista e chefe de posto adjunto até 1973 na famosa curva da salsicharia. Nessa altura já fazia parte da comissão permanente dos Bombeiros da Cruz Branca.

A vitória na prova inaugural do Autódromo do Estoril, em 1972, trouxe-lhe a experiência que faltava para, após o interregno motivado pelo 25 de Abril de 1974, fundar o CAVR e reatar as corridas em 1979. Seguiram-se anos de glória, algumas corridas de cariz internacional, no motociclismo, até à sequência de acidentes que fizeram adormecer, por mais de duas décadas, o circuito automóvel.

 

“WTCC terá enorme retorno”

Foi das primeiras pessoas em Vila Real a saber das corridas internacionais em Vila Real. Considera que, apesar dos custos, o investimento valerá a pena. “É um bom investimento porque o retorno é enorme. Quem dera muitas cidades de Portugal terem um cartaz desportivo com corridas internacionais. Vila Real e Portugal têm um reconhecimento internacional no que concerne às corridas, pela história que toda a gente conhece. Aqui já recebemos pilotos de todos os cantos do mundo”, disse.

Ainda assim, Costa Paulo admite que não é fácil conseguir a homologação internacional, e que as autoridades desportivas são muito exigentes. Pelo que “é um enorme mérito Vila Real ter conseguido a autorização para realizar uma etapa do mundial de carros de turismo”.

Refere também que, na sequência disso, os responsáveis vila-realenses “realizaram um excelente aproveitamento da zona envolvente ao Dolce Vita e ao Teatro”, nomeadamente na Alameda de Grasse, na qual foi retirada a relva e colocado um piso com base em alcatrão para receber o Paddock. “Foi um acto de enorme coragem aproveitar aquele espaço para receber os pilotos. Até agora, para além do espaço verde, aquele lugar não tinha mais aproveitamento. Agora, pode ser utilizado ao longo do ano como apoio a diversas atividades desportivas, não apenas ao circuito”, considerou.

 

Para quando corridas de motos?

O cheiro da gasolina dos automóveis é irresistível, mas são as motos que deslumbram Costa Paulo. Exerceu diversos cargos em entidades ligadas ao motociclismo e enquanto piloto perdeu a conta aos prémios desportivos. Correu o mundo, desde a China ao Brasil, e ficou na história do motociclismo nacional. Agora, o que motiva e pensar na possibilidade de Vila Real receber uma prova deste âmbito, o que “não é fácil”.

“Este traçado que vai ser utilizado para o WTCC não está adaptado para motos. Com os rails à face da pista é impossível as motos circulares, qualquer deslize seria mortal”, confirmou. No entanto, o aproveitamento que está a ser feito das bancadas, nas antigas boxes, segundo Costa Paulo, “já quererá dizer que alguma coisa”.

O antigo piloto confessa que já deu informações ao atual presidente da câmara, Rui Santos, para a concretização de dois circuitos, que permitira a introdução de motociclos. “Na sequência da requalificação das antigas bancadas, poderia ser feita uma meta naquela zona, para uma nova pista, aproveitando parte do antigo traçado. Os pilotos saiam da zona das bancadas, percorriam a Av. Aureliano Barrigas em direção à zona da Timpeira, entravam no novo circuito, em sentido contrário, na Av. de Osnabruck, saiam para Av. Da Europa, passavam pelas Piscinas Municipais descobertas, até à zona da meta. Este traçado teria que estar equipado, na sua maioria, por pneus e fardos de palha, para segurança dos motociclistas”, explicou, empolgado.

Apesar de ainda não estar na calha este ambicionado projeto, Costa Paulo vai, para já, assistir com alegria ao regresso das corridas internacionais, revivendo o espírito de outras eras.

 

Reportagem de Filipe Ribeiro, publicada em 8 de julho de 2015, no Notícias de Vila Real.

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