Filandorra sem financiamento para adaptar ao teatro obra de Alexandre Parafita

No âmbito do Concurso ao Programa de Apoio a Projetos – Criação e Edição da DGartes/Ministério da Cultura, ao qual a Filandorra candidatou o projeto “Diabos, Diabritos num saco de Mafarricos/Contos da Tradição Oral Transmontana”, tivemos conhecimento na passada sexta-feira às 18h00 (parece-nos propositadamente para “evitar” tomadas de posição públicas dos concorrentes), que a mesma apesar de elegível não vai obter financiamento. A história repete-se… com a agravante que neste concurso o financiamento para projetos de Criação – Teatro para o Patamar de €40.000,00 foi TODO para a Área Metropolitana de LISBOA, com cinco candidaturas financiadas.

Onde está a equidade do desenvolvimento cultural do País? Sublinha-se que em toda a Região Norte houve quatro candidaturas elegíveis neste patamar com ZERO de financiamento. Na ausência de Audiência de Interessados, o que é atentatório da liberdade e da democracia, iremos pelos instrumentos disponíveis da DGartes, solicitar o acesso às candidaturas em concurso de forma a agirmos em defesa legítima do nosso projeto, e se necessário junto dos tribunais. Face à situação de esquecimento e desrespeito pela cultura na Região de Trás-os-Montes e Alto Douro, a Filandorra vai de imediato contactar todos os grupos parlamentares da Assembleia da República bem como a intervenção da Secretaria de Estado da Valorização do Interior, com sede na região (Bragança), do Senhor Primeiro Ministro e de Sua Excelência o Presidente da República.

O projeto que a Filandorra candidatou tem por base a obra de Alexandre Parafita (autor do Parecer da candidatura dos Caretos de Podence a Património Cultural Imaterial da Humanidade/ UNESCO) que levou, e pretende dar a conhecer o universo da tradição oral com os seus contos, lendas e mitos recolhidos pelo etnógrafo junto dos guardiões da memória, alguns já desaparecidos. Com esta criação, a Companhia vai visitar bibliotecas, auditórios, espaços ao ar livre, e a manter-se a situação pandémica, esta criação será concretizada a partir da realização de vídeo a partilhar nas plataformas sociais, direcionando-o para o público infanto-juvenil e de forma muito especial ao público idoso em interação direta com Lares de Idosos, Centros de Dia, etc.

A nossa candidatura envolve 19 municípios de cinco distritos de toda a Região Norte (Porto, Vila Real, Guarda, Viseu, Bragança), a maior Rede Protocolada do país, que apoiam financeiramente o projeto em mais de 50%, sendo que à DGartes apenas foi solicitado 44,20%. Acresce que o projeto candidatado também tem a parceria sem impacto orçamental das duas maiores instituições de ensino superior da região de Trás-os-Montes, nomeadamente UTAD e IPB.

Está mais que provado e fizemo-lo sentir junto da Senhora Ministra da Cultura e do Senhor Director Geral das Artes em reunião havida a 15 de janeiro do corrente ano no Palácio Nacional da Ajuda, que este modelo de apoio às artes por concurso está FALIDO. Os resultados finais dos sucessivos concursos só têm produzido injustiças, desigualdades e em alguns aspectos particulares são passíveis de impugnação judicial. Sempre defendemos que não se pode deixar que “meia dúzia de pessoas” em Lisboa tenham informação suficiente e relevante para avaliar e decidir sobre o trabalho sustentado de dezenas de anos de estruturas teatrais de carácter profissional, com quadros de pessoal efectivo entre actores e técnicos, e com enraizamento territorial assumido que ultrapassa a análise sumária de “umas tantas linhas escritas encaixotadas em parâmetros difusos e inconsequentes”.

O apoio a estruturas com a dimensão da Filandorra, como outras que igualmente desenvolvem trabalho regular nas várias regiões do país, deve ser encaminhado para Contratos-Programa que envolvam os candidatos e estruturas descentralizadas do Governo como as CCDR’s, Direcções Regionais da Cultura, Autarquias e naturalmente as Instituições de Ensino Superior e Agrupamentos Escolares.

Lamentavelmente, e a arrepio do esforço de descentralização por parte do actual Governo, o Ministério da Cultura continua em contraciclo. Apesar das promessas intermitentes e tardias da Senhora Ministra da Cultura, Graça Fonseca, para nós e para muitos profissionais da área da cultura, é a Ministra da DesGraça, da Fome e da Seca, e a quem, em tributo às migalhas que nos atribuiu em Novembro passado, onze meses depois, de 25% da anterior candidatura, que foram encaminhadas para encargos com a Segurança Social, Finanças, e proporcionalidade do lay-off dos trabalhadores, situação em que nos encontramos, vamos entroniza-la em cerimónia pública como a “Ti Miséria” da Cultura em Portugal, personagem principal do conto tradicional português perpetuado por Adolfo Coelho, no próximo dia 11 de Dezembro, Dia Internacional da Montanha, data prevista na candidatura para a Estreia do projecto em Vinhais em Pleno Parque Natural de Montesinho.

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