Fisgas de Ermelo atraem público por terra e ar

As Fisgas de Ermelo, localizadas junto à União de Freguesias de Ermelo e Pardelhas, são conhecidas pela beleza deslumbrante do relevo, das quedas de água do rio Olo com, aproximadamente, 200 metros, pelas suas lagoas naturais de água cristalina, as piocas, e pela sua paisagem que mistura a suavidade da água à rudeza do xisto e do quartzo.

De percursos pedestres, tais como o PR3, um percurso circular de 12,4 Km, inaugurado em abril de 2016, conhecido pelos seus grandes desníveis, a provas de trail e de BTT, são muitas as maneiras de entrar em contacto com a beleza das cascatas e do parque natural do Alvão.

Para percebermos como é a experiência de visitar este espaço natural, entramos em contacto com vários visitantes que realizaram a visita por várias vias.

Aquando da nossa pesquisa, conhecemos Pedro Marinho, de Amarante, organizador de provas de BTT, que ficou marcado pelas quedas de água e pela “imponência da natureza”, e decidiu, por isso, realizar uma prova que passasse por esse lugar. “Os participantes acharam o percurso fantástico e, depois, voltaram para visitar com a família”, declarou Pedro.

Ricardo Carvalho, membro da Equipa A Canidelo, conheceu as fisgas aquando da sua participação em trail’s e, após essa experiência, sentiu a necessidade de visitar as quedas de água com mais tempo: “o meu primeiro contacto com as fisgas foi no âmbito da prova de trail, é uma prova dura, mas é espetacular, as paisagens são deslumbrantes. Agora, quero ir lá mais no âmbito do lazer, para explorar com calma sem me guiar pelo relógio”, afirmou.

 

Paisagens fascinantes

 

Outro visitante apaixonado pelas Fisgas de Ermelo é António Rocha Soares, oriundo de Sabrosa, que nos descreveu o que viu de uma forma poética: “Tinha ouvido dizer que as fisgas eram um monumento geológico onde o rio Olo se precipitava e parecia desaparecer numa garganta. Nos anos 80, as chuvas anteriores à minha visita deixavam adivinhar o belo da cascata que vinha precipitar-se no abismo, num fragor de espuma, como um véu de noiva levado pelo vento. Fiquei deslumbrado com a grandeza da garganta cavada no xisto cinzento raiado de quartzo. O fascínio das fisgas vem atraindo as gentes, desde o Neolítico”, descreveu.

Carla Mota e Rui Pinto, um casal que viaja pelo mundo e divulga as suas viagens no blog “Viajar entre Viagens”, conheceram as fisgas quando eram professores na Escola Secundária de Celorico de Basto e descreveram a sua experiência da seguinte forma: “foi  magnífico. Juntamos um grupo de amigos e lançámo-nos no trilho! As paisagens são deslumbrantes, os momentos de relaxamento nas piscinas naturais soberbos e os momentos de provação para atingir o objetivo final também marcam sempre o percurso. As fisgas são um lugar único no mundo, na medida em que traduzem a beleza de uma serra num curto espaço territorial”, explicou Carla Mota.

 

Uma visita pelos ares

 

Outra experiência, bem diferente, foi a do Comandante Ambrósio Cordeiro, um piloto e parapentista mirandelense. Tudo começou quando um camarada lhe falou sobre uma visita que tinha realizado às fisgas por via terrestre e, a partir de aí, surgiu a curiosidade de sobrevoar um espaço tão belo descrito pelo seu colega. O piloto de ultraleve sobrevoou a zona de Ermelo, a sete mil pés, cerca de 2133 metros, uma altitude de segurança, devido ao relevo agreste e perigoso da zona, e vislumbrou a “garganta” das fisgas de um ângulo pouco comum. “Nós descolamos de Mirandela por volta das nove da manhã, em direção ao Alvão, subimos acima das eólicas e começamos a circundar as fisgas. Este voo permitiu-nos ter uma visão diferente daquela que o visitante por via terrestre tem. É uma zona montanhosa muito bonita onde se podem ver muitas gargantas, mas aquela destaca-se do resto da paisagem por causa de ter um curso de água que se precipita nela”, contou.

Está então provado que as fisgas atraem todos os tipos de visitantes seja por via aérea ou terrestre, a sua beldade fica gravada na memória das pessoas que, apesar da dificuldade da ascensão, para alguns, e do perigo do relevo para outros, procuram sempre voltar a esta beleza única da natureza.

Cláudia Richard

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