Infiltrações ecoguiadas e jacarandás

Por: João Madureira

Vivemos num país onde mandam os presidentes dos clubes de futebol. E, coitados dos senhores, para salvação do nosso desporto, um deles vive numa casa que é propriedade da empregada, e um outro apenas tem de seu um palheiro. E se não estão no governo, para lá caminham, pois são dos maiores pantomineiros do mundo, adeptos fervorosos do Groucho-marxismo.

Alguns jogadores dopam-se para aguentarem as dores nos jogos, administrando triamcinolone, uma substância proibida pela Agência Mundial Anti-Doping, mas de forma legal, através de infiltração ecoguiada intra-articulada para combater alterações degenerativas nos tornozelos, pois a lei apenas penaliza a administração oral, retal, intravenosa e intramuscular.

O cansaço acumulado pelos portugueses acaba por torná-los menos eficientes. E se pensarmos que, como pensa Diogo Pacheco de Amorim, o vocabulário médio de 90% dos eleitores portugueses é de 80 palavras, está tudo explicado. Por isso é que o Chega, mandando Joacine para a sua terra, que eles não sabem bem qual é, não para de crescer nas sondagens. Os eleitores compreendem-no. E quando os seus dirigentes chamam bandidos a determinadas pessoas, que nasceram na terra da Joacine, e são condenados pelos tribunais, muitos deles, com o domínio vocabular dos cerca de 90% dos eleitores portugueses, queixam-se que estão a pôr em causa a sua liberdade de expressão. Por causa das coisas, aqui fica o convite para todos entoarmos uma canção bem ao gosto dos saudosos dos bons velhos tempos e que, com toda a certeza, 100% dos eleitores do Chega compreendem e até conseguem cantar sem grandes enganos: “Ai chega, chega, chega / Chega, chega, ó minha agulha/ Afasta, afasta, afasta / afasta o meu dedal / Brejeira, não sejas trafulha / Ó não, és a mais bela fresca agulha / em Portugal…”

Um agente do Corpo de Intervenção da PSP (ativista antirracista) escreveu um texto na sua página do Facebook, desconsiderando André Ventura e apelando para que se “decapitem esses racistas nauseabundos que não merecem a água que bebem”. A direção da PSP considerou que a “decapitação” é de facto uma “desconsideração pessoal” suspendendo-o por 10 dias. O agente recorreu da decisão e o Ministro da Administração Interna suspendeu a pena e ilibou o agente.

Mamadou Ba, num apelo intelectual e meramente simbólico, sob a forma de metáfora, pediu a morte do “homem branco”.

Ou muito me engano ou isto ainda vai acabar mal. É que os militantes e eleitores do Chega não simpatizam muito com metáforas, pois 90% não lhe entendem o sentido.

Parece que há quem associe a obesidade à preguiça, mas os entendidos referem que é precisamente o contrário.

Já Manuel Villaverde Cabral, defende que os grandes partidos atraem sobretudo quem quer ganhar bem sem trabalhar, mas, também nestes casos, parece que não é verdade.

Verdade, verdadinha, é que Pedro Passos Coelho regressou à atividade política e não disse nada. Talvez se sinta como a apresentadora Liliana Campos que sempre teve inseguranças, mas sempre soube, de uma forma ou de outra, como lidar com elas. Dizem os seus mais chegados, que o ex-líder do PSD é publicamente o oposto do que é pessoalmente. Outros afirmam que é precisamente o contrário.

O Secretário-geral da Confederação dos Agricultores de Portugal afirmou numa entrevista que já viu contentores com ginásio e ar condicionado em Odemira e, ao que se sabe, diz ele, os imigrantes não dormem assim no Nepal, nem no Bangladesh. E também enviou um recado aos defensores dos direitos dos imigrantes: “As pessoas são contra as estufas em Odemira mas depois querem comer tomate cherry.”

O senhor Secretário de Estado da Juventude e Desporto, a convite do senhor Presidente da Câmara de Lagoa, resolveu juntar-se à festa nacional e participar na inauguração da vedação de arame do Estádio Capitão Jusino da Costa.

Eu, por pura diletância intelectual, (ou será o contrário? Agora fiquei um pouco confuso…) fui até Lisboa para observar a magia dos seus jacarandás. Os jacarandás são uma marca da capital e o encanto das suas flores de cor lilás supera, de longe, o incómodo da substância pegajosa, bastante incomodativa, que segregam durante a floração, sujando os automóveis e os passeios.

Sensibilizado com tanta beleza, pus-me a escrever um poema que começa desta forma: “Lisboa tem mais encanto, e magia, na época dos jacarandás…”

Ou será o contrário? A pandemia está a deixar-me ainda mais confuso. Serei de esquerda ou de direita?

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