João Luís Silva: “Somos pelo desenvolvimento, mas não a todo custo”

João Luís Silva, candidato do partido Livre, pelo círculo eleitoral do distrito de Vila Real às eleições legislativas marcadas para o dia 30 de janeiro, foi convidado, na passada quinta-feira, pela Universidade FM, para participar numa entrevista relativa à sua candidatura.

Assim, num primeiro momento, Luís Mendonça, o jornalista e diretor deste jornal, questionou o candidato flaviense de 57 anos, sobre a sua opção pela vida em Lisboa, incluindo na sua pergunta como surgiu o seu interesse pela política.

Em resposta, João Luís Silva começou por explicar que foi para a capital portuguesa para se formar em Gestão de Administração Pública. Nessa altura, enquanto estudante deslocado, recebeu apoios por parte do Estado e, admitiu, que sentiu a necessidade de retribuir desde cedo.

No que diz respeito à política, diz que as suas ideias foram orientadas pelo seu irmão mais velho, que participara no 25 de abril. “Era um homem feito e influenciou-me na forma de estar sensível para essas temáticas. Assim, fui criando esse interesse pela vida partidária”, explicou o candidato, realçando que outra das suas influências foi um sapateiro apoiante do Partido Socialista, para quem trabalhou no Verão, enquanto jovem, que o familiarizou com as ideias do partido, fazendo o sentir “de esquerda”.

Por fim, sobre a sua opção pelo partido Livre, João Luís Silva, destaca que difere dos outros dado que “dá possibilidade a qualquer cidadão que se identifique com os princípios do partido possa exercer a sua cidadania e dar um contributo para a democracia, sem ser dependente ou afiliado”.

Desertificação “existe desse a monarquia”

Quando orientado para o assunto da desertificação populacional de que sofre o interior norte, o candidato do Livre, explicou que o partido tem propostas e ideias face a esse problema que “existe desde a monarquia”. “Onde há mais população, há mais investimento, que representam uma melhor qualidade de vida, contrariamente às zonas em que há menos investimento, nas quais as condições de vida diminuem. Não estou a dizer que os deputados que estão no poder não têm feito nada, mas não têm feito tanto como deveriam fazer e como as populações do interior exigem que seja feito. Essa é a nossa posição, pretendemos fazer mais”, realçou.

De destacar que, para o candidato, uma boa iniciativa passaria pela estadia dos deputados, uma semana por mês, na sua terra, por forma a sentir na pela os problemas da população local. “Gostaria de ter a possibilidade de ficar uma semana por mês na minha terra, dado que, só estando no terreno é que conseguiria perceber o sentir do povo e das suas necessidades. Para sentir, é necessário ter mais proximidade”, explicou.

Além disso, falou na necessidade da regionalização, através de uma maior relação entre o regional e o centro de decisão. “Não temos o modelo perfeito definido, dado que tem de ser estudado”, acrescentou.

Exploração do lítio tem de avançar “de acordo com os interesses da população

Sobre a temática da exploração de lítio na região, João Luís Silva esclareceu que a posição do Livre está junto da população. “Temos a posição de defesa dos interesses da população local. Nós somos pelo desenvolvimento, mas não pode ser um progresso a todo custo”, reforçou.

Por fim, foi abordado o tema do Alto Douro Vinhateiro, comparando o maior desenvolvimento da região e as dificuldades sentidas pelos agricultores e vitivinicultores, que têm visto o seu rendimento baixar consideravelmente. 

Sobre essa questão, o candidato realçou que falta o principal, a atratividade, e que, para tal, seria necessário um trabalho mais coordenado com o Governo. Como exemplo, deu a ilustração positiva que se pode fazer através de novelas televisivas da região, retratando a boa qualidade de vida que se pode ter nas pequenas cidades. Todavia, o João Luís Silva relembrou que a mudança deste paradigma pode decorrer “no espaço de uma geração”. 

CR

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