Lua Cheia – Arte na Aldeia regressa para “encher” Coêdo de Cultura

Ao longo de seis noite consecutivas, à luz do luar, a aldeia de Coêdo, em Vila Real, vai “respirar” arte com o festival Lua Cheia – Arte na Aldeia. A iniciativa, organizada pela cooperativa cultural Peripécia Teatro, propõe-se a colocar a arte em diálogo com o espaço e a comunidade rural, reforçando a importância da descentralização da cultura. A “Edição Espacial” de 2021 decorre entre hoje e domingo, na aldeia da freguesia de Adoufe, e vai contar com a apresentação de cinco espetáculos de teatro e uma sessão de cinema. O programa do festival inclui, ainda, a inauguração da obra do artista plástico Carlos No, “Tragos e Komos”, elaborada em Residência Artística Periplus.

Tendo como principal objetivo completar a presença diária da Peripécia Teatro – que “habita”, desde 2007, a antiga escola primária de Coêdo –, a iniciativa “nasceu” de um conceito diferente do atual. Apresentado pela primeira vez em 2014, Lua Cheia – Arte na Aldeia levava, em todas as noites de lua cheia, espetáculos, tertúlias e momentos de convívio entre público e atores à comunidade local. Face ao contexto pandémico atual, os responsáveis pela organização do projeto optaram por definir um novo modelo, o de festival, reforçando a aposta na oferta contínua de arte e espetáculo para todos que visitem e habitem a aldeia.

O festival Lua Cheia – Arte na Aldeia conta, ainda, com momentos de tertúlia, moderados por um elemento da Peripécia Teatro, que visam a promover a partilha entre artistas e espectadores no final de cada espetáculo. As peças e a sessão de cinema podem ser vistas entre amanhã e domingo, às 22h00. Os bilhetes têm o custo de três euros e podem ser adquiridos online, em www.bol.pt, ou na bilheteira física, no local do festival. A lotação máxima é de 56 lugares (sentados), sendo a entrada por ordem de chegada – da primeira fila (frente) para a última (trás) – e o uso de máscara é obrigatório. Mais informações em www.peripeciateatro.com.

Peripécia Teatro em dose tripla

“Fardo”, “Conto Contigo” e “13”. São estas as propostas da Peripécia Teatro que, desta feita, apresenta-se com uma presença mais regular na programação de Lua Cheia – Arte na Aldeia. Com o objetivo de dar a conhecer o trabalho que tem vindo a desenvolver ao longo dos últimos tempos naquela que é a sua “Casa”, a cooperativa cultural sem fins lucrativos irá assinalar o arranque do festival com a apresentação de um Entrudo peculiar. Em “Fardo” o público é convidado a participar num jogo teatral com elementos quase mágicos: as máscaras. O espetáculo, de carácter poético e universal, propõe um “divertimento sobre a morte” numa “viagem” que teve como ponto de partida as máscaras de madeira do Carnaval de Lazarim. A peça está em cena amanhã.

Já na quarta-feira, 21 de julho, sobe a palco “Conto Contigo”, uma sessão de contos na fronteira da narração com a representação teatral. “Guiados” pela atriz Patrícia Ferreira e pela música ao vivo de Rui Fernandes, o público é convidado a conhecer os contos de António Modesto Navarro, Miguel Torga e João de Araújo Correia. A peça resulta de uma coprodução Peripécia Teatro, Espaço Miguel Torga e Município de Sabrosa. Para além de assinalar o arranque do certame, a Peripécia Teatro vai, ainda, marcar o encerramento da edição deste ano, no domingo, 25 de julho, com a apresentação de “13”. Nesta enorme “salada de conceitos e pensamentos” sobre factos e métodos da Igreja Católica, o espectador é convidado a assistir a um jogo com o duplo sentido das palavras que servem de base às personagens cheias de contradições.

Coêdo acolhe Projecto Ruínas e coprodução Teatro O Bando e Teatrão

“Combater qualquer tendência para ter profundidade”. É esta a proposta de “Zona”, um espetáculo-concerto-teatral do Projecto Ruínas que, sem ninguém cantar uma única nota, explora as possibilidades e os limites da música e do teatro. Com texto e encenação de Francisco Campos, o espetáculo pode ser visto na quinta-feira, 22 de julho. Diretamente do mundo da música para o universo literário, “Filho?”, uma interrogação teatral para a infância e juventude que parte do romance “Para Onde Vão Os Guarda‑Chuvas”, de Afonso Cruz. A coprodução Teatro O Bando e Teatrão, na qual o público mais novo é desafiado a “batalhar” na guerra das perguntas, está em cena no sábado, 24 de julho.

Lua Cheia – Arte na Aldeia também se faz de cinema e artes plásticas

“Tragos e Komos” – traduzido do grego para “Besta e Festa” – é a resposta de Carlos No ao convite lançado pela Peripécia Teatro para integrar a edição deste ano de Lua Cheia – Arte na Aldeia. A obra inédita do artista plástico português – que será colocada no espaço da companhia amanhã, às 23h30 – procura questionar, de forma irónica, estética e lúdica, os conceitos de território, fronteira, margem e exclusão. A “Edição Especial” de 2021 vai acolher, ainda, a exibição do filme “E agora, onde vamos?”, da atriz e realizadora libanesa Nadine Labaki, na sexta-feira, 23 de julho. Tendo como pano de fundo um país dividido pela guerra, o filme conta a história de um grupo de mulheres que se une por uma causa comum que transcende as questões religiosas que cruzam a sociedade.

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