Manuela Tender: “o Chega é um partido que faz falta no espectro partidário português”

Manuela Tender, candidata do Chega pelo ciclo de Vila Real às eleições legislativas marcadas para o dia 30 de janeiro, na passada sexta-feira, aceitou o convite Universidade FM, para uma entrevista centrada na sua candidatura.

Luís Mendonça, diretor deste jornal e da rádio UFM, começou por perguntar à candidata o porquê da escolha deste partido, dado que, dois anos antes, era deputada pelo PSD.

A esta questão, a professora de 50 anos, explicou que tudo partiu de uma iniciativa de cariz popular, em que vários cidadãos do distrito se dirigiram a André Ventura, apresentando-lhe o nome de Manuela Tender como uma sugestão de cabeça de lista. “Entendendo que eu tinha feito um bom trabalho enquanto representante deste distrito nos dois mandatos em que estive na assembleia da república, esses cidadãos valorizaram essa forma de estar na política”, explicou a candidata, reforçando que, contrariamente aos dois grandes partidos, PS e PSD, que “não ouvem a voz dos cidadãos”, o Chega “teve uma outra postura”. “Ouviu, foi saber de referências minhas e contactou-me, respeitando esta iniciativa cidadã. Eu valorizei muito isso”, acrescentou.

Após este convite, Manuela Tender foi ler o programa eleitoral do Chega que não feriu a sua “sensibilidade humanista”. “Olhei para os princípios do programa do Chega e vi que, efetivamente, me revia na maior parte deles e que não havia nada que me chocasse. E, portanto, resolvi aceitar este desafio novo”, contou.

No que diz respeito ao PSD, esclarece que ao nível das estruturas distritais e concelhias, “a porta, neste momento, está fechada”. “PS e PSD têm clientelas tão grandes e tão exigentes que acabam por esgotar todos os recursos, todos os cargos, que os partidos têm à sua disposição. Se fossem só cargos partidários, bem nós estávamos, o problema é que essas clientelas estão a ocupar cargos que são pagos por todos nós e isso não está bem.”, realçou.

O Chega “não é um partido que coloca em causa a democracia”

Oferecendo uma explicação, do seu ponto de vista, sobre o que era o Chega, Manuela Tender referiu que, não é “um partido que coloca em causa os direitos humanos, a tolerância ou a democracia”. “Pelo contrário, lutando contra a corrupção, contra o clientelismo e estas formas de estar dos dois grandes partidos, o Chega vem, de alguma maneira, promover uma renovação da democracia e um reforço dos princípios práticos da transparência e rigor na gestão da coisa pública, do bem comum, colocado acima de todas as decisões políticas. Portanto, acho que é um partido que faz falta no espectro partidário português”, elucidou.

Para o Chega, não basta “falar muito da descentralização”

No que diz respeito à temática da descentralização, a candidata do Chega referiu que, PS e PSD falam muito da descentralização, “mas, depois, não levam, nenhuma dessas reformas e leis a cabo”, dado que, “aquilo a que assistimos é a um novo centralismo”, que faz com que “a periferia continue sempre a perder serviços”. “Estas lógicas têm que mudar”, defendeu.

Essa mudança, segundo Manuela Tender, passaria pela promoção de políticas de incentivo à natalidade, de apoio à fixação de jovens e de políticas efetivas de coesão que têm estado ausentes. Além disso, a candidata propôs uma nova forma de representação dos territórios, não apenas por número de eleitores, mas também pela área geográfica.

Apoio aos agricultores entre as grandes preocupações 

Sobre este tópico, Manuela Tender referiu haver, no programa do Chega, uma coisa que “a agrada particularmente”: “Um novo paradigma de modelo de sociedade que vai recuperar a nossa matriz identitária, ao nível da cultura, da organização da sociedade e ao nível da valorização do mundo rural, que tem sido esquecido, tal como as famílias que vivem da agricultura”, enumerou.

Por fim, sobre a mineração do lítio, declarou ver com “muita apreensão a forma como esses processos estão a decorrer”, devido à colaboração muito estreita entre autarquias e entidades externas, “com pouca transparência, elucidação e defesa dos interesses da população”. 

CR

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