Mesão Frio já acolheu mais de uma dezena de refugiados ucranianos

Desde março, altura em que Mesão Frio começou a receber os primeiros refugiados do conflito Rússia-Ucrânia, que a antiga residência de estudantes já abrigou um total de 12 pessoas. Há cerca de três semanas, chegou ao município um casal da região de Donetsk, que está prestes a ser integrado no mercado de trabalho. No mesmo local, estão instalados três jovens nigerianos, que estavam radicados há 10 anos em Kiev, onde completaram a sua formação académica e trabalharam, até começar a guerra.Oladete, Akinkoye e Olajide, todos perto dos 30 anos de idade, são amigos de longa data e exerciam respetivamente as profissões de videógrafo, agente imobiliário e designer de moda. Em Mesão Frio vieram encontrar o conforto e a tranquilidade para retomar o quotidiano que lhes foi roubado de forma brutal, assim como Maksym e Alona, os elementos do casal recentemente chegado a Mesão Frio. Quando a guerra começou, os três amigos nigerianos demoraram cerca de 72 horas na fronteira Ucrânia-Polónia. Maksym e Alona, ele mecânico de profissão e ela cabeleireira, demoraram apenas 48 horas, porque decidiram abandonar o país antes de a guerra começar e fixaram-se temporariamente na Polónia. Para trás, Maksym deixou a família na Polónia, enquanto que a de Alona ficou em Espanha. Questionados sobre se pretendem voltar ao país de origem, os cinco elementos foram unânimes e perentórios na resposta: “não pretendemos voltar, porque não há para onde voltar”, afirmou Maksym, com quem todos concordaram. Visivelmente emocionada, aquando da entrevista, Alona mostrou filmagens que passaram nos jornais nacionais da Ucrânia, da casa onde vivia com os pais e que foi destruída em Donetsk, há pouco menos de uma semana.

Sobre como têm aproveitado o seu tempo livre em Mesão Frio, enquanto não encontram ocupação, Maksym e Alona revelam que têm ido ao ginásio e feito caminhadas e que aquilo que mais têm gostado, em Mesão Frio, são as paisagens e as pessoas. Oladete, Akinkoye e Olajide têm aproveitado parte do seu tempo para estudar através da internet e fazer desporto, na equipa do Sport Clube de Mesão Frio, onde já se sentem integrados.Nenhum dos cinco elementos alojados conhecia Portugal, mas todos já tinham ouvido falar de Cristiano Ronaldo e da Ilha da Madeira, onde está parte da família da mãe de Maksym.

A comunidade mesão-friense tem demonstrado receber muito bem os refugiados ucranianos, a quem a Câmara Municipal de Mesão Frio está a prestar todo o tipo de apoio temporário, sobretudo no que diz respeito à habitação, alimentação, integração social e profissional.

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