Trabalhadores do Miraneve surpreendidos com encerramento

Os trabalhadores Hotel Miraneve, em Vila Real, reuniram, nesta manhã, em frente ao estabelecimento hoteleiro, depois de surpreendidos com o encerramento de dois restaurantes e um hotel, “sem pré-aviso”.

Segundo Maria das Dores Costa, que trabalhava no hotel há cerca de três décadas, um conjunto de trabalhadores foi convocado, ontem, para a reunião em que lhes foi anunciado o encerramento imediato do hotel. “Ficamos surpreendidas, mas pensámos que nos ia entregar a carta de desemprego. Em vez disso, deram-nos um documento que não tem valor nenhum”, declarou a trabalhadora, recordando que não recebe o salário desde o mês de maio e que “o negócio não estava assim tão mal”.

No caso de Eduarda Fonseca, que está de baixa devido a questões de saúde, não recebeu nenhum aviso, nem da reunião, sendo notificada pelas colegas de trabalho. “Ninguém me avisou. Eu só quero que me pague o que deve e entregue a carta de desemprego como deve ser”, afirmou.

Após reunir com os trabalhadores presentes em frente ao hotel, Nuno Coelho, do Sindicato da Hotelaria do Norte, explicou que  “14 trabalhadores, de um dia para o outro, ficaram sem o seu posto de trabalho”. “Foi-lhes comunicado, numa reunião, que o hotel ia encerrar e entregam-lhes modelos que nem sequer foram bem preenchidos, dado que são acordos de advocação e não houve acordo nenhum. Isto é um encerramento ilícito”, reforçou Nuno Coelho, frisando que este caso é acompanhado pelo sindicato “há muitos anos”, sobre o qual “foram feitos vários pedidos ao ACT, relativamente a salários em atraso” e que, “até ao dia de hoje, o ACT nada fez”.

Outro ponto destacado pelo sindicato, é que a empresa, em período de confinamento, “requereu apoios do Estado, mas os trabalhadores não receberam nada por parte do patronato”, vindo “a descobrir que a empresa abriu outro estabelecimento durante esse período”.

O passo seguinte, segundo Nuno Coelho, passará por convocar a empresa para uma reunião no Ministério do Trabalho, por forma a que se resolvam os problemas, que englobam “o encerramento ilegal e as compensações às quais os trabalhadores têm direito e créditos relativos a feriados, subsídios, horas e dias de férias que não foram pagos”.

Responsável nega acusações

Nuno Barroso, um dos responsáveis pela empresa contactado pela Agência Lusa, negou as acusações e alegou que o hotel e restaurante estão fechados por “falta de trabalhadores”.

“Numa casa em que preciso de pelo menos 16 funcionários, tinha quatro e não podia estar a sustentar rendas, água, luz e gás. Só para dar um exemplo, paguei 1.300 euros de gás no mês passado sem rendimentos”, salientou, acrescentando que, “assim, esta casa é insustentável neste momento”.

Referiu, também, que acordou com os trabalhadores “passar-lhes os papéis para o desemprego” e que, da sua parte, “foram bem preenchidos”. Quanto aos salários em atraso, Nuno Barroso disse que são relativos a “dois meses”.

Por fim, o empresário confessou ainda ter rendas em atraso e que, por isso, está em negociações com o senhorio do edifício, que o contrato de arrendamento se prolonga até abril de 2023 e que “não é certo que o Miraneve vá fechar”.

Recorde-se que, em maio, o Bloco de Esquerda tinha questionado o Mininstério do Trabalho relativamente a salários em atraso.

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