Museu de Arqueologia e Numismática de Vila Real encerrado temporariamente devido a obras

A partir de amanhã, dia 4 de julho, o Museu de Arqueologia e Numismática de Vila Real irá encerrar ao público, devido ao início das obras de requalificação no seu edifício. Trata-se de uma casa histórica que, desde 30 de outubro de 1997, alberga o Museu.

A direção do Museu explicou que, ao longo dos anos, alguns aspetos estruturais foram-se deteriorando: paredes, madeiras, isolamentos, etc., tornando-se, por isso, imprescindíveis estas obras. O Município de Vila Real avança agora para esta requalificação.

Este bonito e sóbrio solar – conhecido pela Casa do Caminho de Baixo, por estar situado na Rua do Caminho de Baixo, nome por que antigamente era conhecida a Rua do Rossio – foi construído pelo Dr. Manuel da Assunção da Rocha, antepassado dos Feyos de Figueiredo, que nela residiram durante muito tempo.

Sabe-se que aqui viveram e/ou foram proprietários, ao longo dos séculos XIX e XX, Luís António de Figueiredo e Rocha (1818-1826), Mariana Antónia de Figueiredo (1834), António Ludovico Guimarães (1859-1867), José de Oliveira e sua mulher Francisca Margarida, António Correia de Almeida Lucena e família (1874-1890), Joaquim de Almeida e Silva (1890), Aureliano de Almeida Barrigas (até 1948), Manuel Ferreira Correia Lopes Barrigas (1948-1954), Teresa de Jesus Martins Frutuoso (1954-1977) e Manuel dos Santos Reis, que a vendeu em 1982 à Câmara Municipal.

Refira-se que, para além da vocação natural de residência familiar, a Casa conheceu sucessivamente outras ocupações. Entre essas ocupações, nos anos 80 e 90 do séc. XIX foi o mais importante salão de baile da vila, especialmente em momentos festivos, com realce para a época carnavalesca, conhecido sob as designações de “Salão de Baile do Caminho de Baixo”, “Sala Recreativa” e “Grande Salão de Recreio”. Foi depois colégio de ensino primário feminino, inaugurado em 8 de dezembro de 1896 sob a designação de “Colégio de Nossa Senhora da Conceição”. Em 1897, instala-se nela o Liceu Nacional de Vila Real, nela permanecendo até à sua transferência para o edifício construído pelo Monsenhor Jerónimo Amaral, em 1901. No ano seguinte, é a vez de se instalar na Casa a Repartição de Fazenda e Recebedoria do Concelho, sendo parte da mesma residência do recebedor do concelho. Nos tempos heroicos das Corridas, nos anos 30 do séc. XX, foi um dos lugares onde se fazia a reparação dos carros nelas participantes. Mais tarde, foi sucessivamente: quartel da Guarda Nacional Republicana, Museu Etnográfico da Província de Trás-os-Montes e Alto Douro, local de preparação e saída das célebres Marchas Luminosas, Escola do Magistério Primário, e, nos seus baixos, em tempos mais recentes, armazém de ferragens e materiais de construção da Casa Calado.

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