Não é um elogio

Por: AF Caseiro Marques

Não, não é um elogio às obras na Avenida Carvalho Araújo, em Vila Real. Sobre isso escrevo mais abaixo.

Não é um elogio, mas é um recordar de coisas importantes. E foi Victor Orban, o homem forte da Hungria, que as mencionou numa entrevista realizada por Jaime Nogueira Pinto, publicada na última edição do jornal Expresso.

Começou por mostrar o seu desagrado com o que os países Ocidentais fizeram no final da Segunda Guerra, deixando que os povos do Leste Europeu ficassem debaixo da alçada da Rússia. São povos cristãos, católicos e ortodoxos, que durante cinquenta anos penaram sob fortes ditaduras das quais apenas se libertaram a partir de 1989. E esse facto parece estar bem vivo na memória daqueles povos. E com razão, digo eu. Por isso, não admira que Orban traga essas recordações à baila, numa altura em que a Europa se debate com muitas outras questões importantes, designadamente com linhas bem marcadas de divisões entre o Norte e o Sul. Ele afirma que foi importante a acção do Papa João Paulo II, para a libertação das garras do comunismo ateu.

Falou da importância da religião para os povos da Hungria e dos valores fundamentais, como a família, o casamento como união de um homem e uma mulher. “Quanto a isso não há cedências. A família é uma união sagrada, que não podemos mudar a nosso bel-prazer.” E ainda, “seguir Jesus Cristo” é muito mais importante do que o dinheiro, diz ele. E exemplifica o apoio que dá à instituição familiar ao conceder isenção de impostos às mães de família com mais de quatro filhos, até ao final da vida. Por cá, deram-se subsídios de 500 euros. E a propósito, em relação aos emigrantes, afirmou que o que a Hungria precisa é de crianças húngaras “para poder deixar o país, não a emigrantes, que não conhecemos, mas aos nossos netos”. A palavra família esteve presente no seu discurso desde o início até ao final da entrevista.

Pelo meio alertou para o cuidado a ter com o regime russo e também com a China, que têm de estar sempre debaixo de olho, embora não devam ser ostracizados, como ultimamente têm sido, declarando que a China nunca deixará de ser um regime especial, pois nunca souberam ao longo da sua milenar história o que foi viver em regime democrático ou algo que se parecesse com um regime liberal.

1 – AS OBRAS NA AVENIDA. Fixei-me em Vila Real em 1984. Não descansei enquanto não me instalei no Centro Histórico da cidade. Ali passei os meus melhores anos e ali me desloco todos os dias. Por isso, gosto da Baixa da cidade e de um modo especial da Avenida. Ninguém se admirará que seja a favor das obras na Avenida. Já aqui o escrevi. Nada na vida é imutável. Também já escrevi que apenas me pronunciarei sobre as obras em geral e principalmente sobre os pormenores – the small is beautiful – quando as obras acabarem e tudo estiver a funcionar. Tenho a minha opinião sobre o que está a ser feito, mas publicamente evito pronunciar-me. Há coisas das quais gosto, e é minha obrigação, concordar ou pelo menos dar o benefício da dúvida a quem as decide realizar, projecta e constrói. A Câmara vem convidando grupos de cidadãos para lhes ser explicado o significado e as razões de cada alteração. Trata-se de uma boa acção de marketing, na tentativa de esbater as muitas críticas que vêm sendo feitas a alguns dos muitos pormenores que estão a ser introduzidos naquela nossa sala de visitas, como toda gente gosta de lhe chamar. Sem deixar de louvar a iniciativa da Câmara de tentar explicar o que se está a fazer, apenas acho, neste momento, que o tempo para explicar e principalmente ouvir, era antes de ser elaborado o projecto e ser dado início às obras. Houve convites e algumas pessoas que podiam aparecer, não compareceram. Ou se compareceram podem não ter sido escutadas. Não estive lá. Não sei. Mas a experiência e o que vi em algumas discussões públicas, é que há técnicos que não gostam que se ponham em causa as suas ideias sobre os seus projectos. Ouvi respostas a algumas observações, dadas com um certo desdém. Isso custa ouvir e calar a quem foi convidado para se pronunciar. Não me estou a referir à Avenida. Pode haver detalhes inúteis, pormenores despiciendos, gastos exagerados em obras que mais tarde ou mais cedo terão de sofrer alterações ou serem remediados, como já sucedeu, noutros tampos, noutras zonas da cidade. Lembram-se do que aconteceu no Pioledo? E das obras que foram realizadas e que nunca tiveram uso ou, se o tiveram, foi reduzido, provando não se justificarem, e que custaram ao erário público centenas ou milhões de euros? E, como, disse, por aqui me fico para já.

2 – ASSOMBROSO. No PS, ainda há quem continue a afirmar que a culpa do estado de Portugal foi de Cavaco e agora, mais recentemente, de Passos Coelho. Cavaco, quem primeiro alertou para o que aí vinha e veio. Mas é culpado. Passos Coelho que foi arrumar a casa deixada em completo desalinho por Sócrates. Eles não se lembram do pântano e que assustou Guterres, nem das três falências do Estado a que os Governos do PS nos levaram. Como dizem os nossos irmãos brasileiros: “Tem pai que é cego!”

3 – TRABALHO. Tenho de admirar o Paulo Sérgio – que não conheço – mas que meteu um papelinho na minha caixa de correio, a dizer que faz todo o tipo de trabalhos de pichelaria. Quem dera que todos os que necessitam de trabalho se prontificassem a fazer o mesmo, em vez de andarem nas televisões a queixarem-se. Ou à espera que do céu caia um subsídio qualquer.

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