InícioVila RealO Jazz também se canta em Mirandês

O Jazz também se canta em Mirandês

Transmontana de Bragança, Isabel Ventura – agora música – quando era menina, tinha os avós maternos a viver no planalto mirandês, numa aldeia chamada Campo de Víboras. Para ela, ouvir falar mirandês era sinónimo de férias, de verões longos e quentes. Isabel Ventura cresceu, foi viver para o Porto, mas transportou consigo essas memórias e, sempre que possível, regressava – e regressa – ao planalto que a viu crescer. E foi num desses verões, que se lembrou de juntar os dois amores: música e língua mirandesa. Mas era preciso mais do que querer. “Escrita popular em mirandês há bastante, mas eu precisava de uma poesia mais profunda, alguma coisa mais erudita, de alguma forma. E encontrei o poeta e pensador Amadeu Ferreira”, conta Isabel. Depois de ter entrado em contacto com a família do escritor, porque os livros não estão no circuito comercial, Isabel conseguiu substrato para começar a criar. Isabel começou por gravar um vinil. Mas será fácil encaixar a métrica do mirandês no jazz? “Não, nada fácil. A métrica não é regular. O Marco Figueiredo, que é o pianista e compositor do álbum, teve alguma “dificuldade””, conta. 

A receptividade ao álbum “Nun Me Lhembra de Squecer”, “tem sido de muita curiosidade”: “a maior parte dos portugueses não sabe que o mirandês é a segunda língua oficial falada em Portugal, só falada naquele cantinho, mas que é língua oficial e desde 1999”, destaca Isabel Ventura. “As pessoas têm curiosidade em ouvir para perceber o que é que soa”. Isabel sorri. “Podem passar que vai soar a espanhol, mas não, não vai…”. No percurso, Isabel Ventura encontrou a Associação de Língua e Cultura Mirandesa com quem fez três cursos para apurar melhor o sotaque, para aprender a gramática, os verbos… “É muito interessante, aprender agora as regras daquilo que ouvia em criança e perceber que era mirandês.” 

Amanhã, dia 7 de outubro, às 21h30, Isabel Ventura e o seu quarteto vão estar no Douro Jazz, no Teatro de Vila Real, para um concerto especial: “Este é um projeto inédito, há música tradicional juntada ao mirandês, mas não ao jazz.”

Inquieta

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