O mundo após a pandemia

O mundo vive circunstâncias extraordinárias que mudam a todo o momento. Exige de todos uma rápida adaptação, um maior sentido de dever cívico, de comprometimento com a saúde pública e com a segurança.

Seguramente, após esta pandemia o mundo não voltará a ser igual, nomeadamente na área da educação. A adesão massiva das instituições de ensino na adoção de novas metodologias de ensino a distância, para garantir o funcionamento normal das atividades de ensino, prevenindo a transmissão do novo coronavírus (SARS-CoV-2), é um bom exemplo dessa adaptação célere e dessa responsabilidade social.

A suspensão das atividades presenciais e a sua substituição por ambientes colaborativos e de ensino a distância exige um esforço adicional de concentração e aprendizagem que, reconhecemos, exige a maior atenção de todos. O funcionamento das instituições de ensino tem mobilizado um esforço coletivo de estudantes, docentes e dirigentes, na adaptação ao funcionamento pleno destes meios de trabalho e na preparação pedagógica de um novo formato de aulas.

Numa época em que os professores ainda privilegiam os quadros negros e formatos expositivos de conteúdos, os estudantes mostram uma crescente preferência pelo uso de meios digitais. É um momento para refletir e perspetivar o futuro do ensino.

No caso do Ensino Superior é determinante pensar numa nova agenda para enfrentar os desafios do futuro, perspetivando as grandes mudanças que irão ocorrer no ensino e na investigação, resultantes da transformação digital em curso, bem como das consequentes alterações sociais, demográficas, incluindo ao nível dos padrões de vida, dos conceitos de trabalho e das interações, nomeadamente ao nível ético, entre humanos e máquinas.

Existem temas que importa repensar, como sejam as salas de aula do futuro e a virtualização de laboratórios, quais infraestruturas adequadas para ensino e investigação, o papel da inteligência artificial no ensino, na investigação e na gestão universitária, a par das questões ambientais. Também os campi devem ser pensados enquanto ecossistemas vivos e inteligentes, a exemplo das cidades, em consonância com os objetivos de desenvolvimento sustentável da ONU.

Indubitavelmente, o mundo tem de pensar diferente.

Fontainhas Fernandes

Reitor da UTAD

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