Os bufos

Por: AF Caseiro Marques

Não ouvi os discursos proferidos no dia 10 de Junho, na Madeira. E, pelas reacções que escutei e li, não perdi nada. A começar pelo de Marcelo. Este Presidente da República de “bananas” – escrevo com letra pequena propositadamente – fala que se farta e na maior parte das vezes não diz nada.

De facto, se no Dia 10 de Junho, antigamente o Dia da Raça, Marcelo falou como fez a propósito da bufaria que existe na Câmara de Lisboa, não perdi mesmo nada.

Disse Marcelo, sobre a comunicação de dados de manifestantes contra o regime russo que “a gravidade não está nem em ser A,B,C por si mesmo, o essencial da gravidade em chegar ao ministério não chegar ao ministério… É preciso proteger direitos, importa proteger os direitos, onde quer que haja o risco de eles serem atingidos. Que direitos? Os direitos dizem respeito à protecção de dados pessoais. Quer dizer hoje há uma preocupação com os dados pessoais que não havia há cinquenta anos, ou há quarenta anos ou há trinta anos. Mas é esse o direito que devemos ter e que cada vez mais será o direito do futuro”.

Alguém entendeu alguma coisa?

 Blá! Blá! Blá! O costume quando cheira a esturro. E as situações têm-se repetido desde que ele foi eleito e de cada vez que acontece alguma coisa que não devia ter acontecido. Não vale a pena citar os exemplos pois todos os conhecemos.

E este caso não cheira apenas a esturro. Marcelo sabe muito bem disto.

O caso é de tal maneira grave que muita gente tem tido dificuldade em o classificar. É que “vergonha”, “estupidez”, “menoridade”, “sujeição”, “promiscuidade”, “colaboracionismo”, são palavras demasiado simples e superficiais para classificar esta “bufaria”.

Ainda por cima, sobre cidadãos russos, mas alguns com nacionalidade portuguesa, que defendem valores democráticos e por isso se opõem ao regime russo e às suas práticas antidemocráticas. Veja-se o caso do principal opositor de Putin, Navalny, de quem muitos russos residentes em Portugal são apoiantes.

Muitos já se esqueceram que no regime anterior que alguns, por tudo e por nada, apelidam de fascista, havia mais medo dos bufos do que dos polícias e da própria PIDE. A polícia política fazia o que lhe mandavam. A maioria dos agentes estava perfeitamente identificada por aqueles a quem a sua identificação interessava, para se precaverem. Mas os bufos agiam na sombra, escondiam-se atrás de amizades e por vezes até de relações de parentesco, não perdendo oportunidades para denunciar aqueles de quem, por qualquer razão, não gostavam, quantas vezes por vingança ou interesses pessoais e muitas vezes injustamente. Não havia pior que um bufo.

Agora é um órgão do Estado quem denuncia e informa, às escondidas, um regime que não respeita minimamente as regras democráticas.

E isto passa-se numa Câmara com governo socialista há muitos anos. Câmara que foi dirigida pelo actual Primeiro-ministro, António Costa. E consta que foi no tempo dele que esta prática começou.

Talvez por isso, Costa está calado. Faz o mesmo que Marcelo quando lhe cheira a esturro. Não aparecem. Nada dizem. Chutam para canto. Competia-lhe esclarecer publicamente o que se tem passado

 E não basta um simples, desajeitado, esfarrapado e nada esclarecedor pedido de desculpas. Como fez Fernando Medina, o autarca de Lisboa: “Peço desculpa. É uma situação que não devia ter acontecido”. Como diz o povo, as desculpas evitam-se. Não se pedem.

E a atitude da Câmara está bem expressa numa outra declaração de fonte municipal, a um jornal nacional, informando que estava a ser feito um levantamento de outros protestos de pessoas que viram aos seus dados serem divulgados, dizendo que por ser feirado o dia 10 de Junho, “é um mau dia porque os serviços estão fechados”. Quem terá sido o Cabo de Esquadra da autarquia – sem ofensa para os militares da GNR – que fez esta declaração?

É caso para quem aqui vive começar a temer pela sua vida, quer seja estrangeiro, quer seja cidadão nacional. Quem é que sabe se atrás da comunicação de dados destes cidadãos russos não segue para certos países a informação sobre outros cidadãos nacionais que falam e escrevem sobre o que se passa nesses países!

1 – Talvez as chuvadas da passada semana tenham posto a nu algumas das falhas de projecto e execução das obras na Avenida Carvalho Araújo. O problema é que em alguns casos já não se irá a tempo de corrigir o que está mal. Não deve ser nada agradável ver a chuva a cair e a água entrar por um estabelecimento adentro.

E não venham dizer que trovoadas destas não costumam acontecer na nossa região, todos os anos e com muita frequência.

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