Os Frugais e os Mendicantes


Por: A.F. Caseiro Marques

Os mais velhos vimos e ouvimos contar muitas estórias de emigrantes que, lá longe, no estrangeiro, a trabalharem que nem uns moiros, ganharam muito dinheiro.

Alguns viveram durante muitos anos na mais incrível miséria, privados de um mínimo de conforto, a dormir em barracas, por exemplo, nos arredores de Paris. 

Alguns deles, singraram na vida, hoje são ricos e os seus descendentes usufruem dessa riqueza amealhada pelos pais, criaram empresas, estão bem na vida e participam na vida social e política dos países que os acolheram.

Outros, nunca saíram da cepa torta. Quando puderam, apesar de passarem muitas privações, quando chegavam as férias, apresentavam-se nas suas aldeias ao volante de carros de marca. Em cada ano, seu. Outros construíram grandes vivendas, que continuam a permanecer dessabidas todo o ano, pois os seus proprietários ainda não estão em idade de reforma ou, na maioria, ficam por lá, a tomar conta dos netos ou na companhia dos filhos, desabituados que estão do modo de viver na aldeia, sem conhecerem as novas gerações, completamente desenraizados.

Ouvimos muitas vezes dizer que a maioria dos portugueses sabe ganhar dinheiro e até sabe poupá-lo. Mas, quando chega a hora de o gastar, realiza negócios ruinosos, gastando-o em mordomias e pechisbeques caríssimos, muitas vezes sem préstimo, apenas para impressionar a vizinhança. Na minha terra, dizia-se de outra, onde os seus habitantes viviam bastante mal, noutros tempos, que nas férias grandes, parecia um “ céu aberto”, com os rádios a debitar música em altos berros, aparentemente a ver quem possuía a melhor aparelhagem. Hoje, passa-se por lá e impera o silêncio. Apesar das ricas habitações, não se vê quase ninguém.

Vem esta conversa a propósito da birra dos chamados países “frugais”, do norte da Europa, em não quererem dar dinheiro, sem retorno, aos do sul, antes preferindo empresta-lo, ainda que com juros baixos.

Como eu os compreendo.

Há quatro ou cinco anos, encontrando-me em Helsínquia, admirado com a pobreza, a modéstia de uma das suas praças principais, onde se situa o Parlamento e a Catedral, comuniquei com a minha filha a dizer-lhe isso mesmo. Resposta: Pai, eles são muito austeros. Repito eu, agora: Austeros! Que palavra terrível para os ouvidos da maioria dos portugueses.

Mas é assim. Os nórdicos não gastam mal o que têm. São poupados e não gastam o dinheiro em luxos desnecessários como nós, os do sul. 

 E, como se tem visto desde o 25 de Abril e nomeadamente desde a entrada para a CEE e agora na EU, há muito dinheiro, milhões atrás de milhões que foram, sucessivamente e sem emenda, mal gastos ou foram parar aos bolsos de muita gente, fruto de compadrios e da corrupção.

Ora, os dirigentes daqueles países sabem muito bem o que se passa. O dinheiro que gastamos em praças, em pavilhões, piscinas, estradas e outros equipamentos que se constroem apenas porque sim. Para gastar os milhões que nos têm oferecido às carradas. Não na criação de empresas e de emprego, no interior. Não naquilo que nos faz falta.

E onde estão as reformas que tão necessárias se tornam e cada vez são mais urgentes? Porque não avançou – vou dar apenas um exemplo – a extinção de dezenas de concelhos? Com a rede viária que temos, não se justificam metade dos concelhos que fazem parte da nossa organização administrativa. Mas ninguém fala nisso. E por aqui me fico. Fecharam tribunais, para pouco depois os reabrirem por causa dos votos. Malditos votos!

1 – Fico triste quando vejo cidadãos a apedrejar as forças da ordem e mais triste fico quando não ouço uma palavra dos responsáveis por essas forças policiais. Onde pára o Ministro, o Primeiro-Ministro e o Presidente da República?

2 – Sardinha. Cuidado com a compra de sardinha em certos supermercados. Aqui há dias, de doze que comprei, cinco estavam moídas. Outros amigos se queixaram da mesma situação. Resposta: Ah! Depois de saírem daqui não nos responsabilizamos pelo estado das sardinhas! Como?

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