“Os Verdes” dizem “não” à exploração de Lítio em Covas do Barroso

Depois de uma análise atenta do Estudo de Impacte Ambiental (EIA) da Mina do Barroso, o Partido Ecologista “Os Verdes” (PEV) reafirmam o seu “não” à exploração de Lítio na Mina do Barroso, “por razões de ordem ambiental, social, económica e cultural; por respeito pelas populações que ali vivem”, e por considerar que “a transparência é fundamental à democracia”.

“Os Verdes consideram que não há medidas minimizadoras ou compensadoras que consigam atenuar os impactos que a mina teria numa área que consideram de excelência em termos ambientais”, começa o partido por considerar.

Neste parecer, o PEV, para além de sublinharem o grande valor ambiental da região, “que o EIA, mesmo com graves lacunas de estudo, nomeadamente a nível do Lobo Ibérico, vem confirmar”, considera que esta é uma zona única que deve ser preservada.

“A área de implantação da Mina insere-se numa área montanhosa de característica rural e pouco artificializada, composta por aldeias e um mosaico de paisagens naturais, seminaturais e agrícolas, onde persistem os lameiros com a silvo pastorícia. Estas formas tradicionais de produção alimentar e de bens lenhosos, muito localizadas no nosso país e características das zonas de montanha são práticas de grande sustentabilidade ambiental e de grande qualidade a nível dos seus produtos. No momento atual, onde crise climática e crise sanitária nos questionam sobre os modelos de produção, estas formas que mostraram eficácia e resiliência aos tempos, sem agredir o ambiente, devem servir de exemplo e serem mais que nunca preservadas e valorizadas, daí a classificação atribuída por este prestigiado organismo da ONU, a FAO. Mas infelizmente os governantes deste país continuam a ter sobre elas uma visão museológica”, escreve o partido em comunicado.

É ainda importante acrescentar que esta adaptação do homem a estes locais de montanha e a forma de produção alimentar que desenvolveram são formas de vivência comunitária e tradições ancestrais se bem que com adaptações aos novos tempos, vão resistindo. Os Baldios são um dos exemplos mais conhecidos.

Esta Mina, cuja área de concessão é de 593ha, ocupará, caso se venha a concretizar, 1/5 da área da freguesia de Covas do Barroso e ficará, apenas, a escassos metros das seguintes localidades: Romaínho, Muro, Antigo, Covas do Barroso, Dornela, Lousa e Espertina, por exemplo.

“Os Verdes” sublinham ainda nesta participação, como questão relevante a deterioração nomeadamente dos recursos hídricos, com toda a implicação que isso tem para a agricultura local (lameiros) e os impactos em cadeia sobre a biodiversidade, habitats, biótopos e especificamente para todas as espécies (fauna, flora) mais dependentes do meio hídrico e das galerias ripícolas, por exemplo, a toupeira de água ou uma espécie em via de extinção como Margaritífera margaritífera, etc.

O Projeto prevê uma necessidade hídrica de 0,570 hm3 de água para o seu primeiro ano de funcionamento, 0,510 hm3 para os restantes e apresenta três alternativas. De qualquer forma, o PEV considera que “é impossível que qualquer que seja a solução adotada não haja, de uma forma ou de outra, interferência nos caudais e na qualidade dos dois rios e ribeiras intercetados pela área de exploração e de transparência de todo o processo que decorreu desde o início sem o envolvimento da população e dos eleitos locais”.

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