PANREAL no centro do debate da Assembleia Municipal

A Fundação Nadir Afonso, a Alter Ibi e o Movimento Internacional de Salvação do Património (MISP) estiveram presentes na Assembleia Municipal da passada sexta-feira e, no final da ordem de trabalhos, intervieram para manifestar o seu desagrado, classificando a demolição do edifício como “uma oportunidade perdida para a cultura de Vila Real”. 

A representante do MISP, Sofia Lourenço, baseou-se na tese de mestrado de Carolina Rodrigues, intitulada “Panificadora de Vila Real: um moderno condenado à morte”, para relembrar que este edifício não tinha vedação para o preservar/proteger, que era uma ruína consentida e que a sua demolição representava o “não reconhecimento do seu valor e da sua preservação”. 

Por seu lado, Laura Afonso, viúva de Nadir Afonso, pronunciou-se sobre a demolição, frisando que o sucedido “foi um conjunto de situações anormais”. Segundo a mesma, o que a fundação solicitava à Câmara Municipal era a classificação do edifício e não a sua aquisição. “A Câmara só tinha de classificar a panificadora, não tinha de fazer mais nada, porque, se fizesse isso, o Lidl tinha de se adaptar aos edifícios, e manter a traça original ou a fachada, para além disso, a demolição do edifício foi difícil devido à qualidade do betão e da estrutura do mesmo”, defendeu. 

Por outro lado, Laura Afonso frisou que a panificadora era um espaço que abrigava delinquentes porque não estava vedada, e que “a Câmara deveria ter obrigado o proprietário a repor aquilo que as demolições ilegais que foram feitas”. 

Por fim, afirmou que todo o processo “não foi claro”, uma vez que “houve ambiguidades no contrato de compra e venda”. 

Por sua vez, Rui Santos disse que este não é um assunto polémico, uma vez que “a esmagadora maioria da população percebeu qual foi a nossa opção”. 

O autarca explicou que o processo já vem desde 2003 e que, na altura, o executivo camarário anterior aprovou, tal como a Assembleia Municipal, o Plano de Pormenor de Tourinhas, que previa a demolição da panificadora para a construção dum piso com quatro andares. O projeto acabou por não avançar e, quando o atual executivo chegou à Câmara Municipal, lançou um concurso de ideias, em parceria com a Associação Industrial Portuguesa, mas não surgiram privados que investissem no projeto. “Entretanto, entrou um pedido de classificação do imóvel como de interesse nacional, a comissão de peritos que analisa essa circunstância decretou que nem sequer analisavam o pedido de classificação porque o imóvel já estava em muito mau estado”, explicou o presidente, repetindo que a demolição preenche todos os requisitos legais. 

Vasco Amorim, do PSD, também se pronunciou sobre esta demolição, dizendo que, numa das Assembleia Municipais, foi apresentada uma moção que procurava integrar a panificadora no projeto do Museu das Corridas de Vila Real. “Estávamos muito inclinados para essa solução, mas quando não se tem poder não se pode fazer. Acho que houve aqui alguma precipitação. É certo que havia um problema que era preciso resolver, mas a situação tornou-se um pouco intensa do ponto de vista emocional, porque também tem a ver com a identidade da cidade”, concluiu Vasco Amorim.

Menu