Para cá dos montes: Um projeto solidário a dançar

Há cerca de um ano e meio, Ana Silva e Juliana Martins tomaram a iniciativa de criar um projeto. Nessa época, sentiam a necessidade de realizar mais do que as habituais oito horas de trabalho diárias e, para tal, uniram duas vertentes pelas quais sentem gosto: a dança e a solidariedade.

Foi então que surgiu a Para Cá dos Montes, um projeto solidário que, através de eventos relacionados com a dança, ajuda quem mais precisa.

“Nós pegámos naquilo que gostamos de fazer, ou seja, levar algo mais à vida de alguém, algo que nós possamos dar como, por exemplo, aulas de dança a custo baixo ou gratuitas”, explicou Juliana Martins.

Ao que Ana Silva acrescentou: “isto nasceu, basicamente por aí, por causa de uma necessidade de fazer algo que nos fazia falta a nós e à cidade”.

Desde então, estas duas professoras de dança já realizaram vários eventos, pegando no que gostam e fazendo boas ações para os outros. Os trabalhos mais recentes foram a gala solidária e o calendário para a associação Laços e Sonhos para a Vida, dois trabalhos que resultaram, no caso da gala, em 3500 euros para a associação. Nessa gala solidária, contaram com a participação dos seus alunos, membros do grupo “Os Dámos de Mateus”, uma equipa com a qual ambas têm uma grande ligação, pois, segundo elas, investiu-se “até ao último fio de cabelo” nesta aventura. “Nós dissemos que queríamos ajudar a associação, através de um evento, em grande, no teatro de Vila Real, e que, para isso, íamos precisar da ajuda de todos. E eles aceitaram. Organizámos o evento durante um ano, mas os alunos, ao longo dos meses, tiveram ensaios consecutivos, dia após dia, que podiam chegar a três horas seguidas. Houve um empenho enorme por parte de toda a gente”, contou Juliana.

 

Transmitir o gosto pelo solidário

 

Para além destes eventos, com mais realce, a Para Cá dos Montes realiza, pontualmente, workshops de dança totalmente gratuitos. E caso cobrem algum dinheiro, este destina-se, na sua totalidade, a uma causa solidária. Um facto que, se assim não fosse, não teria sentido para Ana e Juliana. “Nós fazemos aquilo de que gostamos gratuitamente, nos eventos solidários, sabendo que podemos ajudar alguém com a paixão que nos une às duas: a dança”, adiantaram.

Outro ponto pelo qual, neste projeto, sentem satisfação é a transmissão do gosto pelo solidário aos seus alunos, que são de todas as idades. “O facto de conseguirmos incutir, aos nossos grupos de alunos, essa ideia de que para ajudar alguém nós podemos fazer alguma coisa de que gostamos, que não nos custa nada, só nos custa um pouco de tempo, é fantástico”, disse Juliana Martins.

A Para Cá dos Montes já ajudou várias pessoas e entidades, tais como a Nica Joaninha, através de um workshop de zumba, a Matilde, organizando um aniversário no Parque Corgo, a associação Miguel Torga, para a qual angariaram uma carrinha, aAssociação Portuguesa de Apoio à Vítima, através de uma gala. Apresentou, também, workshops e coreografias com os alunos em instituições de forma gratuita, entregou presentes de natal às Florinhas da Neve, entre outros.

Ações nas quais a Para Cá dos Montes não recebe um cêntimo. Porém, Ana e Juliana dizem que ganham muito mais: “Não dá para explicar por palavras o que se sente quando ajudamos uma pessoa a ganhar uma batalha, como por exemplo a Joaninha, para quem conseguimos um tratamento que a ajudou a andar, é inexplicável. O sentimento é muito caloroso e reconfortante”, concluí Juliana com arrepios.

 

Um futuro mais brando

 

Hoje, a Para Cá dos Montes e a Laços e Sonhos P’ra Vida, dando continuidade ao projeto do calendário solidário, vão estar na RTP 1, no programa “A Praça da Alegria”.

No entanto, num futuro mais próximo, e por causa de um ano de 2018 repleto de aventuras, as duas responsáveis estão a pensar abrandar o ritmo para descansar, pois, segundo elas, não há tempo para tudo.

Mas há um problema, a Para Cá dos Montes tem um defeito/qualidade: quando chegam à conclusão de que uma ideia é viável, não conseguem deixá-la para trás, tal como nos contou Ana Silva: “Nunca me lembro de ficar com uma ideia por realizar, a partir do momento em que vemos que é viável, seguimos para a frente, e isso entra em conflito com a vertente do cansaço” concluiu.

Isso acontece, porque este projeto pode contar com o apoio incondicional das pessoas que o rodeiam, pois, sempre que uma proposta é apresentada, o projeto fluí e, mesmo com algumas dificuldades, realiza-se graças aos colaboradores.

“Nós somos gratas às pessoas que estão à nossa volta. Porque sempre que precisamos de alguma coisa, confiam no nosso trabalho e ajudam-nos logo”, adiantou Ana Silva.

Apesar desta falta de tempo e de algum cansaço, no futuro, podemos esperar por mais eventos solidários por arte da Para Cá dos Montes. Porque se há alguma coisa que não falta neste projeto são ideias e iniciativa para as realizar.

Cláudia Richard

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