Pela boca morre o peixe

Caseiro Marques

Por: A.F. Caseiro Marques

1 – Quem tem medo dos comunistas? Ninguém, porque já não comem criancinhas ao pequeno-almoço, como se dizia no tempo de Salazar. Lembram-se? E havia muita gente que acreditava. Digo eu!

Veio o 25 de Abril e muitos tivemos efectivamente medo dos comunistas. E não foi caso para menos. Afinal, foram eles a sofrer as consequências de uma tentativa de tomada do poder com uma revolução que não esteve longe de acontecer, como todos os movimentos, sejam de esquerda ou de direita, por vezes fazem, mesmo sem terem a maioria da população do lado deles. Assim aconteceu na Rússia, na China e em Cuba, por exemplo. E também em Angola e Moçambique. O mesmo fez a direita em diversos países, principalmente na América do Sul, tal como no Chile, na Argentina e no Brasil. 

Neste momento, em Portugal, apesar de se tratar de um pequeno partido, o PCP manda, por força dos sindicatos que controla e da sua capacidade de mobilização e controle de certos sectores de actividade que tem possibilidade de parar.

Costa usou o PC no Governo anterior, incluindo-o na “geringonça” e, assim, conseguiu uma maioria estável que o apoiou durante quatro anos, numa manobra inteligente, como político habilidosos, que é.

Marcelo acabou por achar piada à solução encontrada e divertiu-se imenso durante esses quatro anos, pois pôde gerir a sua imagem com declarações inócuas, apenas aparentando e exibindo manifestações de autoridade para português ver, como no caso dos incêndios de 2017 e de Tancos. Mas nem ele, nem ninguém retirou consequências  desse tipo de gestão de crises.

Aliás, Marcelo, com tanto palavreado oco, na maioria das suas inúteis declarações, volta e meia, profere palavras que se vêm revelando bom apoio de outros. 

Foi o que fez agora o PCP, relativamente à realização da Festa do Avante. 

E o PCP atirou-lhe isso à cara, fundamentando a sua defesa para a concretização da festa na nota explicativa sobre a proibição de festivais e de eventos, salvaguardando as actividades políticas, que não estavam proibidas desde que fossem apresentadas como tais. 

Ora, aí está.

A Festa do Avante é uma actividade política, diz o PCP. Assim, desde que digam que cumprem todas as regras sanitárias como a lei exige nada os impede de a levar por diante. 

É mesmo caso para dizer que “pela boca morre o peixe”, como diz o adágio.

Mas está certo que a festa se realize? Claro que não! Sem dúvida. Simplesmente para os partidos e nomeadamente para a esquerda e, neste caso, para o PCP, a lei que se vá “encher de moscas!” Querem lá saber. E Marcelo e Costa têm entre mãos um caso bicudo. Mas podemos todos ter a certeza que os comunistas vão em frente e vai haver Festa do Avante, porque esta constitui a maior fonte de receitas deste partido, pois há muita gente que nunca foi comunista e vai lá assistir aos concertos, pagando bilhete e dessa forma ajudando um partido que é um anacronismo no nosso sistema político e uma aberração em toda a Europa e no mundo inteiro.

2 – Altere-se a lei. Lembram-se da aprovação da lei que despenalizou o consumo de drogas? Foi no tempo e Guterres. 

Como não se consegue eliminar o consumo de drogas, altera-se a lei e deixa de ser crime o consumo. Assim aconteceu, por obra e graça da alteração da lei. Tudo muito fácil. Há uma lei do tempo de Sócrates que manda ouvir as Câmaras na construção de grandes empreendimentos, como é o caso do aeroporto do Montijo.

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