Pequena viagem…


Por: Ricardo Magalhães

Há dias fui apanhado por um amigo, que quando menos esperava perguntou-me quando é que vamos ao teu Douro? Ao Douro das gentes que lá vivem e trabalham, perguntei eu? Mais cedo do que pensava aconteceu, e nessa viagem tive a oportunidade de com ele partilhar algumas preocupações.

Acontece que neste tempo de “confinamento” tive a oportunidade de assistir via web a algumas sessões, conversas ou conferências que têm ocorrido na região, animadas por uma ou outra associação não governamental, centradas na reforma da Administração Pública, mais concretamente na descentralização / na desconcentração da Administração, atribuições, competências.

A discussão do costume…

Mas o aspeto fulcral para o qual lhe queria chamar à atenção era outro. Objetivo e esclarecedor.

Se, imaginariamente, ficarmos sentados na última fila de uma plateia e olhando para as filas da frente, diria que boa parte dos presentes têm cabelos brancos e a cara marcada pelo tempo. Poderemos mesmo afirmar que a idade média dos participantes rondará os 50-60 ou mesmo 70 anos de idade.

Tenho, para mim que um dos grandes desafios que o futuro nos coloca será o do rejuvenescimento das nossas “plateias” nomeadamente quer no que se refere ao processo e sua arquitetura  (âmbito, natureza, objetivos, etc) quer nas gentes, nos agentes públicos e privados que se torna imprescindível,  comprometer.

Sejamos realistas: a conjuntura atual favorece o surgimento de mais pólos de conhecimento, novas técnicas e grupos tecnológicos. Há novos e muitos tipos de trabalho, novos modelos que se adivinham… É tempo de conquistar outras audiências com distintos atores, novas energias e recursos.

Socorro-me de um grande poeta Alexandre O´Neil que escreveu

 “É tempo de ganharmos juntos, aquilo que perdemos, separados.”

É altura de estabelecer outros compromissos, outros contratos. Há que chamar ao palco da região, outros leaders. Impõe-se uma mobilização global que não deixe de fora quem tem energia, conhecimento, vontade, recursos humanos e financeiros.

Andamos pelo Douro acima até ao Pocinho. Vimos de tudo. Do que, francamente nos agradou, do que nos entristeceu. Lado a lado. O facto de estarmos perante uma paisagem classificada como Património da Humanidade, uma paisagem evolutiva cultural e viva e que, por isso, exige cuidados especiais de planeamento e gestão territoriais fez-nos reflectir…

No fim da volta com o meu amigo, assentamos no seguinte: ficamos convencidos de que a melhor forma de conservar uma paisagem, é usá-la. Usar com regra, mas usar. Fechar o território é meio caminho andado para a degradação, para o abandono.

Diz-me o meu amigo que tivesse calma. Que tendência não é destino…que ninguém vai à procura de um sítio que não sabe que existe…Tem razão. Por isso, temos de continuar a mostrar este Reino Maravilhoso aos mais novos aos que vêm a seguir.

E que, naturalmente, o desenvolvimento não acontece por correspondência…. Mas sim com e pelas gentes.

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