PJ deteve 10 pessoas por crimes de associação criminosa e burla qualificada

A Polícia Judiciária, através do Departamento de Investigação Criminal de Vila Real, com a colaboração das Diretorias do Norte e Centro e da Unidade Local de Évora, em inquérito dirigido pelo Ministério Público – DIAP do Lamego, desencadeou, ontem, uma ação policial, em várias localidades do país. No âmbito dessas intervenções foram realizadas 24 buscas domiciliárias e não domiciliárias e detidas 10 pessoas, nove homens e uma mulher, com idades compreendidas entre os 20 e os 71 anos, suspeitos da autoria dos crimes de associação criminosa, burla qualificada, falsificação de documentos. No total, já foram identificadas cerca de 20 vítimas.

“Trata-se de um grupo de pessoas que, de forma relativamente organizada, com distribuição de tarefas concretas, de forma reiterada no tempo e com alguma estabilidade organizativa se vinha dedicando à pratica dos crimes de burla qualificada e falsificação de documentos”, referiu António Torgano, coordenador do Departamento de Investigação Criminal de Vila Real.

A investigação em curso tem por objeto a aquisição e pagamento fraudulento e fictício, por parte dos arguidos, de diversos veículos automóveis de “gama alta” (Porsche, Ferrari, Mercedes, Audi, Nissan, entre outras marcas) avaliados em algumas centenas de milhares de euros, cujas vendas eram publicitadas em sites da Internet pelos respetivos proprietários.

“Os arguidos pesquisavam a publicitação da venda dos carros e faziam os contactos com as vítimas e aliciavam-nas para uma venda rápida, sem grande discussão sobre o preço do veículo. A venda era rápida porque as vítimas se sentiam aliciadas pelo preço que estavam a propor na internet”, salientou António Torgano.

De salientar que estas ações permitiram apurar que os arguidos, após se apossarem dos veículos, efetuaram sempre os respetivos pagamentos por meio de transferências bancárias simuladas ou fictícias, cuja verificação, em tempo útil, não era viável pelos proprietários junto das respetivas instituições bancárias, o que permitia àqueles efetuar a alteração do registo de propriedade dos veículos de forma célere, para depois os desencaminharem  para fora do território português, através de intermediários ligados ao ramo automóvel.

A quase totalidade dos veículos foi colocada no mercado espanhol, onde os suspeitos possuem ligações familiares, ou intermediários no “negócio”. Todos os veículos foram recuperados e apreendidos pelas autoridades espanholas e portuguesas e, subsequentemente, entregues aos seus legítimos proprietários.

Os detidos, sem ocupação laboral conhecida, vão ser presentes esta tarde, no Tribunal de Viseu, para interrogatório judicial e aplicação de eventuais medidas de coação.

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