Ponham-se finos, se não…

Por: A.F. Caseiro Marques

1 – O ÓDIO. Li algures que o nosso “Governo vai monitorizar o discurso do ódio nas plataformas on-line”. E se alguém do Governo disse isso é porque alguém o pensou fazer. Ora, eu que percebo pouco de plataformas on line e muito menos de ódio, também não percebo que o significa “monitorizar”! Palavra de honra – como se diz na minha terra –  que não sei! Foi uma ministra, filha de um outro ministro do actual Governo quem o afirmou. E se ela o disse é porque é verdade. Porque o PS e os seus militantes são ou parece quererem ser os donos da verdade. Por isso, talvez o discurso tenha a sua razão de ser. Se esse termo significa controlar o que eu e outros vamos escrevendo, talvez seja verdade.

Vamos ver. O que o Governo quererá dizer pela boca daquela rapariga, que ainda há pouco tempo apareceu na TV sem saber como estar, atrás do nosso Primeiro, isto é sem saber se devia cruzar os braços, cruzar as pernas, olhar em frente ou para o chão, menear a cabeça para a esquerda, depois para a direita e por aí adiante, é que teremos de ter cuidado com o que escrevemos. Porque se a comissão de censura não gostar, por uma qualquer razão, que apenas alguns iluminados saberão avaliar, sujeitamo-nos a levar com um a ripa de alto a baixo ou no mínimo a sentar o cu no mocho. Eu e uma larga maioria de portugueses que vivemos no tempo da chamada ditadura, sabemos o que representavam os lápis azul e vermelho. Logo, o melhor é irmos correr comprar todos os lápis dessas cores que encontremos para vermos se os esgotamos de modo a evitar que o Governo possa adquirir algum e a aplicá-lo como critério para silenciar as vozes dissonantes.

E podem estar descansados os novos censores que eu não cairei na patetice de lhes dar assunto e razão para utilizarem os ditos lápis. Era o que faltava. Com essa ameaça, tudo farei para não contribuir para onerar mais ainda ao orçamento do Estado com a contratação de censores. A não ser que queiram também reciclar alguns dos trabalhadores da TAP para desempenharem essas funções, pois podem não conseguir reciclá-los a todos para ingressarem nos quadros da CP, como alguém terá sugerido, quando a companhia aérea começar a ter de despedir trabalhadores. Aviadores viram condutores e de comboios e censores.

2 – TAP. Por falar em TAP, sinto que vou ficar mais rico. É que se o Governo resolveu nacionalizar a TAP, a nossa companhia aérea passa também a ser minha. Porque eu também vou ajudar a pagá-la. Assim como vou contribuir com os meus impostos para pagar as dívidas, as indemnizações aos trabalhadores que terão de despedir e para todas as despesas que virão, como com a contratação de uma equipa para a gerir. É que somos tão pequenos e incompetentes que não temos entre todos os portugueses quem saiba de aviões e do respectivo negócio. 

Talvez não fosse má ideia, em vez de contratarem uma equipa para gerirem a TAP, contratarem uma equipa, ainda que mais alargada, para gerir o país. Talvez chamar os alemães, como há anos aqui sugeri. Era capaz de nos ficar mais barato. É que, além de gerirem, podia ser que não roubassem tanto no que se poderia poupar muito dinheiro, a ver se abatíamos a dívida para um valor que os meus netos e bisnetos possam vir a pagar sem grande esforço. Caso contrário, poderão ter de ser eles a declarar a falência do país, sem terem responsabilidade nenhuma pela situação que, entretanto, os governantes dos últimos quase cinquenta anos lhes criaram.

Pelo que já vimos noutras situações e pelo que li e ouvi sobre a situação desta empresa, fico com a ideia de que seria bem melhor deixar cair a TAP e criar uma outra empresa de raiz.

Espero que este texto ainda não venha a ser monitorizado pela ministra Mariana Vieira da Silva. Sim! Aquela que herdou o lugar do pai, como muito carinho e amor paternal.

O melhor é passar a outro tema, caso contrário ainda me espeto ou estampo com este texto.

3 – A COVID E OS TRANSPORTES NA REGIÃO DA GRANDE LISBOA. Isto é que é falar. Grande Lisboa. O Medina, o Presidente da Câmara de Lisboa deve gostar disto. Grande Lisboa. O homem deve ficar todo inchado por poder ser confundido como o dono de Lisboa e arredores. Bem, vamos aos transportes e à Covid.

Dizem que os transportes públicos nas zonas mais pobres de Lisboa e arredores, que levam os trabalhadores entre as suas casas e os seus empregos, circulam sobrelotados e que, apesar de a ministra dizer que não, será uma das razões para os focos de contágio por Corona Vírus.

Posso perguntar por que razão não se legisla no sentido de os trabalhadores poderem efectuar as suas deslocações em horários desfasados, por exemplo entre as seis da manhã e as dez ou onze da manhã? E o mesmo aconteceria da parte da tarde.

Desse modo evitar-se-ia a necessidade de as empresas terem de disponibilizar mais meios de e transporte e eles deixariam de correr tantos riscos como correm viajando ao monte, sem as necessárias condições de segurança e distanciamento. 

4 – DIÁCONOS. Uma nota, ainda que breve, para assinalar a ordenação de dois novos diáconos na diocese de Vila Real. Coisa rara nos tempos que corem. Rara, mas importante, pelo seu especial significado religioso e social que essa cerimónia representa. Não posso deixar de admirar que dois jovens se deixem encantar pela vida e pela mensagem de Jesus Cristo e a queiram colocar em prática através do serviço em favor da sociedade em geral e de um modo especial dos cristãos. 

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