Portugal, a Venezuela da Europa

Por: Caseiro Marques

Ao longo destes anos por várias vezes fui interpelado, por vezes de forma veemente, por criticar prática política do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa. Muitas pessoas não entendiam as razões pelas quais me fui insurgindo contra certas tomadas de posição de Marcelo.

Fui explicando conforme podia e sabia, quais as razões para não ter votado em Marcelo e por ir escrevendo a criticá-lo.

Mesmo assim, acho que não conseguia fazer passar a mensagem: Marcelo não é quem se pensa. Tive até quem deixasse de assinar o Notícias de Vila Real por me ler a criticar Marcelo.

Parece-me que a fruta começa a estar madura para mais pessoas entenderem o porquê de eu não gostar da forma como Marcelo faz política. A política dos beijinhos, das fotografias, a torto e a direito, e das diárias intervenções a propósito de tudo e de nada e em matérias que não são da sua competência.

E tem-se visto isso nos últimos tempos através de algumas decisões de Marcelo que não dizem com as palavras dele, nos discursos oficiais e em algumas declarações avulsas.

Mas recuemos um pouco ao início das reversões de Costa por pressão do Bloco e do PCP. Nomeadamente, relembremos aqui o que Marcelo disse aquando da redução do horário de trabalho da função pública para as 35 horas. Ele afirmou claramente que iria estar atento aos impactos orçamentais dessa redução. Isto é, Marcelo iria tomar uma atitude contra essa reversão, caso a despesa pública aumentasse escandalosamente.

Meus caros leitores, já algum o ouviu dizer mais uma palavra sobre esse assunto? Isto é, Marcelo já veio dizer que essa reversão foi um erro tremendo e uma injustiça em relação aos trabalhadores das empresas privadas, que não gozam da protecção dos funcionários públicos, têm de trabalhar mais para pagarem os vencimentos que o Estado lhes paga? Isto para além da sobrecarga de impostos que os privados têm de pagar.

E, no entanto, Costa tem a supina lata de estar sempre a dizer que o PSD e o CDS aumentaram os impostos, esquecendo-se que o fizeram para tapar os buracos que o seu camarada Sócrates deixou nas contas públicas.

Na semana passada, o jornalista José Manuel Fernandes, do jornal OBSERVADOR, escreveu que há pouco tempo dissera ser necessário apoiar Marcelo para ele ser eleito, “porque o regime necessitava de um sistema de pesos e contrapesos para que continue minimamente a funcionar”. Agora, continua o mesmo jornalista, a propósito da nomeação de Vítor Caldeira para Presidente do Tribunal de Contas que “depois do que agora se passou não posso mais confiar em Marcelo Rebelo de Sousa para desempenhar esse papel”.

O que José Manuel Fernandes vem dizer neste momento já eu o sinto há dezenas de anos. Tenho-o reafirmado desde sempre e está agora a ser descoberto por ele e por muitos mais portugueses, pelo menos os mais atentos.

Acrescento apenas mais um facto: A saúde está como nós sabemos. Quer nos hospitais, quer nos Centros de Saúde. Ainda vai funcionando por força do trabalho e da dedicação de quem ali trabalha.

Apesar de saber perfeitamente o que se passa, viram alguma vez Marcelo ir visitar um hospital ou um Centro de Saúde onde existam problemas no atendimento aos doentes?

Meus amigos, convençam-se que Marcelo tudo tem feito para e tudo fará para se reeleito por grande margem.

Eu sei que ele é menino para roer a corda a Costa, depois de ser reeleito. E alguns socialistas já se deram conta disso.

Mas essa atitude é de homem? É de político? Bom, de político talvez seja. Mas de homem também será? Homem sério, que é o que nos está a fazer falta?

E, já agora, como alguém disse, se Marcelo é contra a renovação de mandatos, então não se devia recandidatar. Há mais candidatos na calha que talvez possam trazer algo de novo à política portuguesa. Marcelo hiperactivo, a dormir pouco, já deve ter os “fusíveis” queimados. Talvez assim se compreendam algumas das suas decisões.

E ainda: Portugal, a Venezuela da Europa? Claro! Um regime ao gosto do Bloco e do PCP e de alguns do Partido saoiclaista.

Votem nele, se quiserem. Eu não votei, nem votarei!

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