PSD de Vila Real acusa autarquia de não querer recuperar murais do Mercado Municipal

O presidente da Comissão Política Concelhia do PSD de Vila Real acusou o município de Vila Real de “apagar” os murais visíveis no exterior do Mercado Municipal, no âmbito das obras de requalificação do mercado: as pinturas foram criadas na década de 80 pela artista alemã Angelika Walter.

“Infelizmente, uma vez mais, o atual executivo camarário quis apagar a memória das boas coisas de Vila Real, e por incompetência ou intenção, não teve a arte e o engenho de voltar a chamar a referida pintora para recuperar a pintura que o passar do tempo foi, naturalmente, degradando”, acusou Nataniel Araújo, que deixou um apelo: “se até às eleições a Câmara Municipal não conseguir criar uma nova solução para aquele espaço, o novo executivo deve repor a situação original”.

“Os vila-realenses e os comerciantes do Mercado Municipal merecem mais apoio, respeito e consideração”, concluiu.

Autarquia explicou que contactou a artista, mas que não aceitou deslocar-se a Vila Real

A autarquia explicou que, no ano de 2016, Vila Real foi escolhida como Capital da Cultura do Eixo Atlântico, tendo preparado “um vasto programa cultural, com inúmeras iniciativas, e entre elas um Festival de Arte Urbana que veio a chamar-se Pitoresco”. “Integrado nesse projeto, identificaram-se os murais existentes no exterior no Mercado Municipal como espaços a intervencionar, dado ser visível o estado avançado de degradação dos mesmos”, continuou.

Em visita a Osnabruck, cidade geminada com Vila Real, foi possível promover o contacto com Angelika Walter, autora dos murais e, numa primeira abordagem, a artista mostrou-se disponível para fazer o restauro da obra. “Para esse efeito, foi convidada a regressar a Vila Real, a expensas do Município”, disse.

De forma a planear o restauro, a pintora Angelika Walter solicitou informações detalhadas e específicas sobre a condição dos murais, que lhe foram remetidas. Após análise das imagens e outras informações, “concluiu não ser possível a sua recuperação, pois o estado de degradação dos murais (base e tintas) era muito avançado. Em sequência, foi-lhe proposto que regressasse a Vila Real para pintar novos murais, não tendo a artista manifestado disponibilidade para o fazer”.

Assim, no âmbito da reabilitação do edifício do Mercado Municipal de Vila Real, praticamente concluída, “as paredes que suportam os murais estão a ser recuperadas para que uma outra solução possa ser equacionada”. “Os murais, apesar da sua adequação estética, não podem ser considerados uma obra patrimonial de excecional relevância. O estado de degradação em que se encontram (e que não se iniciou em 2013) também excluem a possibilidade da atribuição de algum grau de classificação, até porque, como acima se referiu, a autora não considera pertinente nem possível a sua recuperação”.

A autarquia referiu, por fim, que “a obra foi objeto de atenção, no sentido de tudo se fazer para a sua preservação, mas que lamentavelmente tal não foi possível”.

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