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Que desaforo!

1 – JUSTIÇA. Ouve-se e não se acredita. Ouvi na semana passada a Ministra da Justiça afirmar que os atrasos na investigação dos processos criminais e consequentes atrasos no julgamento dos processos que se vêm verificando, principalmente quanto aos crimes de colarinho branco, se devem ao facto de os procuradores não fazerem a separação de processos e juntarem a investigação de vários crimes cometidos pelo mesmo arguido. Assim, têm surgido os enormes processos que se arrastam na fase de investigação e vêm a criar imbróglios autênticos na fase de julgamento, originando recursos sobre recursos, com ou sem fundamento, contribuindo para os atrasos na realização da Justiça e para o descrédito desta, perante a opinião pública e cada cidadão em particular.

Tenho dúvidas que os atrasos se fiquem a dever apenas a esse facto ora apontado pela ainda titular da pasta da Justiça. Há com certeza outras razões. Mas, por agora, fixemo-nos apenas nas palavras da Ministra e nas suas afirmações apresentadas como verdades absolutas.

E, então, é legítimo perguntar: o que andou esta senhora Ministra a fazer durante os seis anos que esteve no Governo precisamente com a pasta onde entroncam todos os constrangimentos à realização da justiça rápida e eficiente, para arguidos e vítimas, neste caso que somos todos nós, os cidadãos que pagamos impostos e nos vemos espoliados pelos malandrins que roubam, levam bancos à falência e corrompem e deixam-se corromper e se põem ao fresco sempre que podem, de uma ou outra forma?

Agora, que está de saída, é que a Ministra Van Dunen vem dizer que a culpa é dos seus colegas magistrados por não procederem como ela diz, avançando com a instrução e consequente julgamento de cada processo, fazendo-se o cúmulo jurídico à medida que cada um deles for julgado e vai chegando ao fim?

Não lhe competia a ela, que até é magistrada do Ministério Público, propor alterações às leis que permitissem agilizar a administração da Justiça nos tribunais de forma célere e segura?

Ou será que foi o respeitinho, as pressões, os arranjinhos e a fidelidade ao partido que a chamou para o Governo que não lhe permitiram avançar com reformas, mais do que necessárias, para evitar os escândalos que todos os dias rebentam neste país, relacionados com a Justiça, as más decisões, as decisões atrasadas, as fugas para o estrangeiro e muitas outras falhas que apenas revelam o descalabro a que esta situação nos conduziu?

2 – COREIA DO NORTE. Somos por natureza seres insatisfeitos. Queremos sempre mais e mais. Somos muito exigentes, muitas vezes connosco mesmos, nem sempre tendo a noção dos nossos limites. E se isso faz parte da maneira de ser dos humanos em geral naturalmente a nossa insatisfação conduz-nos por vezes a exageros tais que até nos esquecemos de todos os que, pela mais diversas circunstâncias, não auferem do nosso nível de vida.

 E quem diz no nível de vida, diz igualmente da qualidade de vida. E muito mais ainda da qualidade da democracia. Democracia que nos permite viver em liberdade. Falar em público, mesmo criticando sem medo de sermos molestado ou mesmo presos, para não dizer mortos.

Podemos eleger os que bem ou mal nos governam, os que mandam os que dirigem os nossos destinos colectivos. E trocá-lo por outros quando deixamos de apreciar positivamente o seu desempenho.

Muitas vezes queixamo-nos de barriga cheia, como se costuma dizer. Temos tudo, ou quase tudo, e não paramos de nos queixar.

Por tudo isto e muito mais que apreciamos, fico triste quando vejo uma fotografia do louco Presidente da Coreia do Norte, agarrado por oficiais de alta patente, que o adulam, em completa euforia, batendo palmas ostensivamente, com rasgados e ridículos sorrisos nos rostos forçadamente sorridentes.

É este regime ditatorial que, volta e meia, ameaça o mundo e principalmente os seus vizinhos da Coreia do Sul e do Japão.

E é este regime que certas pessoas e determinados partidos políticos portugueses dizem admirar e afirmam, sem rodeios, que duvidam não se tratar de uma democracia.

Bolas! Porque não vão para lá experimentar como vive o povo oprimido e obrigado a bater palmas em perfeita e estúpida histeria!

3 – POVO MANSO. Na passada sexta-feira, entre as cinco e as sete horas da tarde, mas poderia ter sido noutro qualquer dia durante a semana, pois a situação vem-se repetindo todos os dias e a determinadas horas, o trânsito estava impossível na zona da rotunda do Seixo. Durante duas horas, as filas estenderam-se pela Via Rápida, até à rotunda do Hospital, pela Rua D. Pedro de Castro e até para cima da Traslar. Mas não se ouviu uma apitadela de queixume! Educação? Não! Apenas mansidão! Todos muito bem comportadinhos, como convém, a uma qualquer ditadura, seja ela qual for, ideológica, política, de sistema ou, temporariamente, por decisão de alguém que se julgue superior e com poderes que apenas ele alcança, e vista a roupa e a cor que vestir!

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