Quousque Tandem Abutere, Catilina, Patientia Nostra

Por: AF Caseiro Marques

Até quando, Catilina, abusarás da nossa paciência?

 Por quanto tempo a tua loucura há-de zombar de nós?

A que extremos se há-de precipitar a tua desenfreada audácia?

Nem a guarda do Palatino,

Nem a ronda nocturna da cidade,

Nem o temor do povo,

Nem a afluência de todos os homens de bem,

Nem este local tão bem protegido para a reunião do Senado,

Nem a expressão do voto destas pessoas, nada disto conseguiu perturbar-te?

Não te dás conta que os teus planos foram descobertos?

Não vês que a tua conspiração a têm já dominada todos estes que a conhecem?

Quem, dentre nós, pensas tu que ignora o que fizeste na noite passada e na precedente,

onde estiveste, com quem te encontraste, que decisão tomaste?

Oh tempos, oh costumes! – O TEMPORA! O MORES!

Assim discursava Marcus Tullius Cícero, célebre senador romano, no Senado, contra outro senador, que conspirava em Roma, para subverter o regime e derrubá-lo, se possível, para impor a sua vontade e disso retirar benefícios.

Longe de mim pesar que estamos perante situação idêntica em Vila Real. Mas lembrei-me deste veemente e denunciador discurso do grande Cícero, a propósito de algumas decisões que eu e muitas outras pessoas consideramos absolutamente absurdas, por mais que nos queiram convencer do contrário.

MUTATIS MUTANDIS, por cá é uma certa visão maniqueísta de poder que nos quer impor modos de vida absolutamente estranhos e incompreensíveis à nossa cultura e maneira de estar. Se não, vejamos.

Não vamos mais longe. Fico-me, hoje, apenas e mais uma vez sobre duas ou três situações relacionadas com o trânsito, criadas por decisões da autarquia de Vila Real que não têm explicação nem fundamento razoável e são mesmo contraditórias com outros princípios que invocam e dizem pretender melhorar a qualidade de vida dos vila-realenses.

Repito sempre e volto hoje a fazê-lo que admito poder estar errado. Mas enquanto não nos explicarem a razão de ser, de forma concreta, objectiva e sem um mero enunciar de argumentos teóricos e seguindo o exemplo da moda que vai sendo seguida noutros países e designadamente noutras cidades estrangeiras. E citam-me cidades enormes com centenas de milhares de habitantes. Falem-me antes de cidades com a dimensão de Vila Real. E expliquem-me o que ali se passa.

Vamos aos factos. Já aqui escrevi sobre alguns deles.

Comecemos pela situação criada com a proibição de virar à direita quando se sai da Rua Santo Condestável e se pretende seguir para norte ou para nascente, pela Avenida Cidade de Orense ou pela tua Morgado de Mateus em direcção ao Pioledo e Av Aureliano Barridas, para se dirigir para a parte nascente da cidade.

Por causa de uns meros cinquenta metros, onde cabem perfeitamente duas faixas de rodagem, é obrigatório vir à Rua D Pedro de Castro, descer ao Seixo e subir a Av Cidade de Orense, percorrendo cerca quilómetro e meio.

Com a agravante de afunilar o trânsito ao fundo da Rua Afonso III, criando um conflito desnecessário com os veículos que ali circulam nos dois sentidos.

E contrariando o princípio que os mesmos responsáveis vêm defendendo de que é necessário retirar o trânsito do dentro da cidade. Afinal em que ficamos?

A outra situação criada pela autarquia prende-se com a obrigatoriedade de todo o trânsito e por conseguinte todos os moradores e utentes dos diversos serviços públicos, a começar na Escola Diogo Cão, terem de sair do bairro e descerem a Av da Europa até ao Codessais para depois voltarem a subir esta via, percorrendo mais cerca de um quilómetro. Isto a acrescentar à inutilização da segunda via, em sentido ascendente, que dificulta o trânsito até chegar à rotunda das antigas boxes.

Em ambos os casos, mais consumo de tempo e combustível, mais poluição, mais aborrecimentos e … muita teimosia!

1 – ANIVERSÁRIO DA ELEVAÇÃO DE VILA REAL A CIDADE. A Câmara festejou este aniversário realizando várias actividades, entre as quais a apresentação de três livros. De destacar a reedição do livro História das Freguesias do Concelho de Vila Real, uma edição actualizada e com novo rosto, um trabalho do Dr Ribeiro Aires. Foi também apresentado outro livro A CASA SENHORIAL DOS CONDES DE VILA REAL, numa adaptação da tese de doutoramento de Carlos Manuel da Silva Moura. Finalmente, na sexta-feira passada, foi dado lugar à poesia, com a publicação do livro SERÁ POESIA?, de Mara Minhava. Estão de parabéns os autores, mas também a Câmara de Vila Real, por dar apoio à edição destas três obras, que, cada uma com a sua importância relativa, engrandecem o panorama literário do concelho e da região.

2 – PSD CONTINUA À DERIVA? Nem na pré-campanha para as autárquicas o PSD consegue ultrapassar o imobilismo, o desnorte em que os antigos dirigente so deixaram cair? Ocorreu a apresentação da nova edição do livro sobre a história das freguesias do concelho de vila Real e nem um dirigente, nem um candidato, nem sequer os actuais vereadores compareceram à cerimónia. Assim não vão lá!

3 – Em Vila Real, acaba-se com a calçada à portuguesa – pasmem! – Porque os materiais não são típicos da região. – Arq Belém Lima dixit!. A nível nacional, a mesma calçada foi inscrita no Inventário do Património Cultural Imaterial, com vista a ser candidatada a Património Cultural da Humanidade. Critica-se quem ao longo de duzentos anos destruiu o pouco património que esta cidade possuía, mas a destruição continua. Façam favor de parar!

4 – No caso de Reguengos, se eu fosse soldado do GNR teria actuado da mesma forma.

Primeiro, restituam a autoridade às polícias. Depois, exijam que os agentes actuem!

5 – OTELO. Desculpem, mas não é por ter sido o comandante operacional no golpe de 25 de Abril que Otelo, depois do seu percurso um tanto tolo e, finalmente, comprovadamente criminoso, condenado a 17 anos de cadeia, dos quais apenas cumpriu 5, por dezenas de atentados e assaltos, entre 1980 e 1987, de que resultaram 17 mortos, quatro dos quais da FP25, não pode ser considerado um herói. Um sujeito que ameaçou encher o Campo Pequeno e depois, matar quem lá estivesse, que queria implantar um regime comunista como o vigente em Cuba – lembram-se? – não passa de um palhaço de reles opereta!

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