Recordar os que partiram

Por: AF Caseiro Marques

Por mais empedernido que seja o coração de alguém, por mais silêncios que tenhamos cultivado ao logo das nossas vidas, por maior que tenha sido o sofrimento que alguém nos fez passar, haverá com toda a certeza um momento em que, metendo a mão na consciência, não deixaremos de perdoar a todos as falhas humanas que tenhamos sofrido às mãos de alguém. O perdão é uma das mais nobres atitudes.

E não esquecemos nunca, ao longo da nossa vida, mas de um modo especial nesta altura do ano, aqueles que nos antecederam e fizeram parte das nossas vidas. Trata-se não apenas dos nossos familiares, dos nossos amigos, mas também de simples conhecidos que, numa altura qualquer da nossa existência, se cruzaram connosco e que nos deixaram, quantas vezes de forma inesperada, devido a acidente, a doença ou mesmo de forma natural.

E esta é uma altura do ano em, tradicionalmente, nos reencontramos de forma espiritual, com todas essas pessoas, sendo que relembraremos mais facilmente aquelas que de alguma maneira nos marcaram, com as suas palavras, o seu exemplo ou um gesto nobre que apreciámos. E quantas almas nos foi dado conhecer a quem temos de agradecer aquilo que somos ou aquilo que fizemos, o que conquistámos, que nos fizeram crescer e enriquecer, principalmente do ponto de vista humano, social, cultural e espiritual.

Desde há muitos anos que possuo uma lista organizada de pessoas a quem telefono regularmente, no dia do seu aniversário e uma outra lista de pessoas a quem visito, com quem contacto, com mais assiduidade, pelas mais diversas formas. Não o faço com a regularidade que muitas vezes gostaria, mas sinto quanto esses meus amigos apreciam os telefonemas, os contactos, mesmo através dos expeditos e fugazes modernos meios de comunicação.

Deles tenho recebido muitas respostas, muita amizade. Mas também sei desligar quando me apercebo que, do outro lado, não vejo interesse, a resposta que indicia desejar manter essa relação. Felizmente, sobram dedos de uma mão para exemplificar essa situação. Humildemente, o reconheço. Mas assim acontece.

Contudo, o mais importante é relembrar, com muita saudade, os que partiram. E quanto me custa observar a minha lista, onde os nomes vão sendo riscados com uma pequena cruz. Fica uma sensação de vazio, de abandono, de ausência, de necessidade de falar com eles, como o fazia anteriormente. Nessas alturas, rezo.

Foram amigos que me deram muito. Me ajudaram. Não do ponto de vista financeiro, por, graças a Deus, não ter tido necessidade, mas me ofereceram a sua amizade, o seu carinho, o ombro sempre que foi importante ter onde me recostar. Todos temos necessidade de um ombro acolhedor.

Não há coisa melhor, a seguir à nossa família, do que ter o prazer, a dita de saber da presença desse vasto conjunto de pessoas que nos estimam, que nos amam e estão sempre dispostos a ajudar, a dar um bom conselho a proferir uma palavra de ânimo, a louvar o nosso esforço e a agradecer algo que lhe tenhamos proporcionado.

É por isso que nesta época sombria, de desânimo, quase desespero, nos faz bem lembrar todos esses entes que nos são queridos.

1 – GNR. Quem me conhece e quem me lê sabe que sempre defendi as forças de segurança. Não são dois ou três exemplos individuais que me afazem perder a esperança em quem nos defende dos malfeitores. Mas ter forças da ordem que se transformam em agentes da desordem é muito mau. Quem organizou e quem almoçou num grande grupo e com isso provocou a infestação colectiva pelo vírus tem de ser punido. E se, como foi dito, logo a correr, a actividade operacional não foi afectada apesar de haver dezenas de militares da GNR infectados, é porque o Comando do Porto tem gente a mais. E se tem gente a mais há que reduzir esse efectivo, pois nós estamos fartos de pagar a quem não tem que fazer e tem comportamentos como o denunciado.

2 – MARCELO. O Presidente continua a meter-se onde não lhe compete. E Costa gosta. Fê-lo, agora, desvalorizando e pondo em xeque a Ministra da Saúde. Com razão ou sem ela, Marcelo está a assumir responsabilidades que não lhe competem. E, se correr mal, não se vai livrar das críticas. Era bem melhor se estivesse quedo.

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