São Pedro

Por: Ribeiro Aires

Saudades daqueles dias cheios de alegria, pelas ruas da baixa, ali defronte da Capela Nova, onde a tradição não sabia quantos anos tinha. Saudades daquele mar de pucarinhos de forma tão diversas quanto a naturalidade das pessoas que enchiam os olhos quando ali os depositavam.

Saudades da rapaziada que ardia no desejo de ir jogar o panelo no sul da Avenida entre a Câmara e o Liceu, sujando as mãos e fazendo a festa quando o panelo depois de tanto voar de mãos para mãos, levando sonhos, se estatelava no chão desfazendo- se em centenas de bocados.

Saudades!…

“Meu pucarinho de sonho

Que de sonhos se transbordou,

Quando a rolar nos meus braços

Noutros braços se enleou…

E andou,

Como quimera no ar,

Sempre a correr, a voar,

À procura de uma fonte

Perdida no horizonte

Do meu longínquo cismar…

Meu pucarinho, quem dera

Voltar aos tempos d’então,

Trazer-te no coração

E alegrar a romaria…

Talvez S. Pedro sorrisse…

Talvez até repetisse

O que fez há tantos anos…

Pucarinho dos meus sonhos!

Pucarinho dos enganos!

(Alberto Miranda, Musa Incerta, 1957)

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