UFM promoveu último debate entre os candidatos à Câmara Municipal de Vila Real

A Universidade FM promoveu, ontem, o último debate entre os candidatos à Câmara Municipal de Vila Real: Luís Santos (Bloco de Esquerda), Alexandre Coelho (CDU); Rui Santos (PS), Luís Tão (coligação “Vila Real à Frente”) e Sérgio Barros (Chega).

O debate começou com o pedido do moderador, o jornalista e diretor da Rádio Universidade FM, Luís Mendonça, para que os candidatos se pronunciassem sobre a importância da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) para a cidade e, posteriormente, sobre a criação do curso de medicina na academia transmontana.

A primeira intervenção, deliberada através de sorteio, foi de Luís Tão que realçou a “dádiva” que a instituição é para a cidade. Questionou, no entanto, “o que a cidade tem dado à UTAD?”. Segundo o cabeça de lista da coligação “Vila Real à Frente”, a cidade “não tem dado muitas saídas profissionais” aos formados que saem da universidade. “Os cursos da UTAD licenciam gente qualificada e com capacidades. Quando essas pessoas acabam o curso, não veem futuro aqui em Vila Real. É isso que a cidade tem de dar à universidade”, referiu o candidato.

No que diz respeito ao curso de medicina, Luís Tão referiu que a assinatura do protocolo relativamente ao centro académico clínico, entre a universidade e o Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro (CHTMAD), é o primeiro passo para o curso de medicina, mas que ainda há mais passos a dar, nomeadamente para a criação do centro hospitalar universitário.

A importância da UTAD para a cidade e a região

Por sua vez, Alexandre Coelho, da CDU, referiu que a UTAD “é uma das melhores universidades do país” e que “traz vida à cidade”, contudo, no ponto de vista do comunista, esta atividade não se pode limitar ao período letivo. “Queremos que seja permitido aos estudantes que desenvolvam a sua atividade profissional na cidade e que esta tenha capacidade de os absorver no mundo laboral”, referiu o candidato, destacando que as principais dificuldades se prendem com a dificuldade em arranjar emprego nas suas áreas e habitação, devido às rendas elevadas.

Quanto ao curso de medicina, Alexandre Coelho referiu que concorda com o facto de haver essa possibilidade da academia, desde que seja “devidamente acompanhado” pelo Ministério da Saúde, o Serviço Nacional de Saúde e a Ordem dos Médicos.

De seguida, foi a vez do candidato do BE, Luís Santos, de se pronunciar sobre estes tópicos e destacou a importância da academia para a própria região, sublinhando os centros de excelência ao nível da investigação e a qualidade de formação dos cursos na área da agricultura. Além disso, salientou que “o hospital veterinário está a ser subaproveitado”, sendo necessária uma “interação mais profícua com o município, que poderia fazer muita diferença no paradigma do bem-estar animal”.

Para o cabeça de lista do Bloco, outra área que também poderia ser potencializada seria o desporto, através dos técnicos que a universidade forma, integrando-os em associações desportivas do concelho. Relativamente ao curso de medicina, o candidato referiu que vê essa oportunidade “com bons olhos”, desde que este não seja considerado “um curso complementar”.

Rui Santos, por sua vez, relembrou a evolução da relação entre a universidade, a cidade e a autarquia. Esta aproximação, segundo o candidato do PS, prende-se com o facto de ter sido eleito um presidente que estudou na UTAD e haver uma relação de proximidade com o reitor da mesma academia, que permitiu a criação de “múltiplas parcerias”, nomeadamente o Regia-Douro Park e o Centro de Excelência da Vinha e do Vinho.

Sobre o curso de medicina, frisou que não é um percurso recente, dado que iniciou em 2020, numa conversa com Fontainhas Fernandes.

O turismo e a atração de novos públicos

O segundo ponto abordado neste debate foi o facto de os turistas que visitam Vila Real, efetuarem uma estadia reduzida, que se resume à visita do Palácio de Mateus, sendo a questão o que é necessário fazer para que os dias de estadia aumentem.

Alexandre Coelho, da CDU, destacou o seu ponto de vista, frisando que Vila Real “não quer viver do turismo”, mas que a área do comércio local tem de ser promovida, dado que os turistas não vêm para região com a intenção de visitar o centro comercial. Para o candidato, é necessário centrar-se na agricultura familiar, dado que a paisagem regional seria beneficiada com a presença dos trabalhadores nos campos e que isso poderá atrair mais turistas.

O candidato do BE, Luís Santos, sublinhou a falta de oferta hoteleira e a não catalogação e recuperação do património que poderia “ser potencializado de outra forma”, nomeadamente no que diz respeito à Olaria Negra de Bisalhães e à criação de um roteiro dos fontanários da região.

Sobre esta temática, Rui Santos recordou que as excursões de turistas são controladas pelos operadores das empresas, que têm o tempo da visita completamente cronometrado, daí a importância de diferenciar esse tipo de turistas, daqueles que procuram Vila Real. No seguimento dessa diferenciação, o candidato socialista enumerou as iniciativas que já foram promovidas em Vila Real, nomeadamente a instalação da Loja Interativa de Turismo, o regresso das corridas internacionais ao circuito citadino, a promoção televisiva de vários aspetos culturais da cidade, etc.

Sérgio Ramos, do Chega, referiu a falta de estacionamento para os autocarros turísticos como um dos principais problemas, referindo que “as lembranças mais vendidas na região são o Galo de Barcelos e a Sardinha”. Quanto a propostas, apresentou o aproveitamento da Estrada Nacional nº2 para fins turísticos, facilitando este percurso para os ciclistas.

Luís Tão, da coligação “Vila Real à Frente” (PSD/CDS-PP/Aliança) iniciou a sua intervenção com o facto de Rui Santos recorrer frequentemente a factos do passado, dando como exemplo o Regia-Douro Park. Num segundo momento, frisou que declarar Vila Real como “A Porta do Douro” não pode ser só uma frase e que, para tal, o património, tal como a calçada portuguesa, a Olaria Negra e o mural do Mercado Municipal, não podem ser “tratados com os pés”. Por fim, o candidato enumerou algumas das propostas da coligação “Vila Real à Frente”, tais como: a criação de uma agenda cultural em parceria com as freguesias, a criação de uma rede municipal de programação cultural intermunicipal com a Comunidade Intermunicipal (CIM) Douro e o reforço da aposta na EN2.

Candidatos reagem à sondagem

No momento final do debate, foi solicitado aos candidatos que reagissem à sondagem publicada na edição desta semana do Notícias de Vila Real, realizada pela Aximage, que dá uma vantagem de 47 pontos percentuais à candidatura encabeçada por Rui Santos (PS).

Sobre os 66% de intenção de voto apresentados na sondagem, Rui Santos relembrou que as sondagens feitas em anos anteriores estavam muito próximas da realidade, sublinhando que a sua equipa ficara “feliz com todos os votos que os vila-realenses” lhes derem.

Luís Tão, que surge na sondagem em segundo lugar, com 19%, referiu que a coligação continuará a trabalhar “com confiança e motivação” e que respeitará a escolha dos vila-realenses.

Sérgio Ramos, cuja candidatura surge em terceiro lugar na sondagem, declarou que, tendo em conta o contacto com a população, considera que o Chega terá mais votos, mas que, caso alcance os 4%, já será um “bastante positivo”, dado que é a primeira vez que o partido se candidata às eleições autárquicas.

Luís Santos, em quarto lugar, declarou que o Bloco continuará a trabalhar para dar a conhecer o seu programa e para fazer chegar as suas propostas com mais força à população, dado que “são necessárias mais forças políticas no espectro político de Vila Real”.

Por fim, o candidato da CDU, Alexandre Coelho, afirmou respeitar a sondagem, todavia destacou que seria mais interessante discutir outros temas, tais como a mobilidade, a cultura, a saúde, o desporto, a educação, os contratos precários ou a rede de saneamento “que não está concluída”.

Cláudia Richard

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