Vamos ver se nos entendemos

Por: Caseiro Marques

Há poucos meses atrás, escrevi um texto, aqui publicado, no qual me insurgi contra a aversão (chamei-lhe ódio, talvez exageradamente e por isso ofendi susceptibilidades) reinante em Vila Real contra os automóveis. Estavam em causa as dificuldades e barreiras que por toda a cidade se vão levantando ao trânsito de veículos.

Está em causa o abuso dos sentidos únicos, o estreitamento das vias, o fim do estacionamento gratuito, as voltas e voltinhas que é necessário dar para se ir de um ponto a outro, entre muitas outras medidas, menos razoáveis. Certamente que os actuais governantes já não se lembram das voltinhas do Marão e das centenas de curvas, que aumentavam a distância e o tempo que demorava a fazer uma viagem entre vila Real e o Porto.

Efectivamente, quer se queira quer não e quer gostem ou não os responsáveis pela regulação do trânsito automóvel na cidade de vila Real, quem gosta ou aqui escolheu viver tinha razões para isso.

E quais eram essas razões?

Em primeiro lugar, Vila Real era, e é, uma cidade pequena, mas, apesar disso, onde existem os serviços básicos fundamentais que qualquer cidadão procura: Hospital, Universidade, escolas com uma média de alunos baixa e em número suficiente, espalhadas por todo o tecido urbano, serviços de saúde primários relativamente próximos e bem servidos de profissionais, distâncias curtas a percorrer, facilidade de circulação e estacionamento relativamente abundante, gratuito e disperso por toda a cidade. Beneficiava ainda do facto de estar perto da montanha, do mar e a consequente existência de ar puro ou pouco poluído, com espaços de lazer em razoável número. Depois, pode ainda, em Vila Real, usufruir-se de boa gastronomia e o bom, vinho da região, para os apreciadores.

No fundo, Vila Real oferecia a qualidade de vida que não se encontra nas grandes cidades. Nestas, as famílias não têm a possibilidade de almoçar juntas. Pais e filhos passam oso dias fora de casa. Na maioria dos casos, as famílias dispersam-se durante o dia e apenas à noite e por vezes nem isso se voltam a encontrar, com excepção dos fins-de-semana.

E muitas desses benefícios têm a ver exactamente com a facilidade de se locomoverem por toda a cidade. Grande parte das famílias almoça em casa, com os filhos e netos.

Em boa hora, há quase quarenta anos, escolhi vir viver para Vila Real, fugindo da selva que era, e é, Lisboa. Apenas gosto da capital para me deliciar com passeios fortuitos e sem destino, a pé, observando os monumentos e a fauna, sempre apressada e triste. Ali apenas há dinheiro e pouco mais.

A instalação dos transportes colectivos, uma das mais importantes medidas do Governo autárquico anterior, veio reduzir drasticamente o trânsito automóvel, situação que ajudou a reduzir a poluição que se fazia sentir em certos dias, principalmente no Verão, na zona central da cidade. Mesmo assim, muito inferior ao que e verificava nas grandes cidades.

Nos últimos tempos, está a tentar-se fazer de Vila Real uma cidade grande. Coisa que não é, por mais que alguém o tenha pensado e deseje fazer. Falta o trabalho para quem aqui se queira instalar. Mas com isso, nem o anterior, nem o actual governo autárquico se preocuparam muito.

Falta saber o que se vai verificar em volta do Mercado Municipal e na Avenida Carvalho Araújo.

Na próxima semana colocarei algumas questões ainda sobre este assunto. Para já fico por aqui

1 – MAÇONARIA. Amante da democracia e totalmente adversário de todo o tipo de ditaduras, sou pela disciplina, pela ordem e pelo respeito pelos princípios em que se baseiam os regimes democráticos que governam a generalidade dos países no mundo. Acredito na democracia e esta é servida por gente muito boa. Aqui e além aparecem dirigentes corruptos e mais ainda empresas e pessoas disponíveis para corromper, caso alguns políticos se ponham a jeito. Uns e outros devem ser escrutinados e punidos se forem apanhados a cometer crimes, a ficar com aquilo a que não têm direito. Com base nisto, aqui o afirmo, embora pense que não se justificam ordens e grupos com práticas secretas, não concordo com a obrigatoriedade de quem quer que seja, tenha de declarar se pertence a esta ou àquela organização. As ditaduras começam assim. O risco é muito grande. Depois não se queixem.

2 – RACISMO. A preocupação com a luta contra o racismo leva a exageros que são eles mesmo manifestações racistas. Não tem sentido nenhum aquilo que alguns fanáticos, exagerados e armados em juízes de tudo e de todos estão a fazer através das suas exigências no combate à praga do racismo. Pretender que um poema da autoria de uma pessoa de cor ou que a dobragem de uma série onde aparece uma personagem de cor, apenas possam ser feitas por outra pessoa da mesma cor, é o cúmulo do racismo.

3 – PROTAGONISMO. Na sua ânsia de conseguir muitos benefícios para uns e prejudicar outros, o Bloco de Esquerda acaba de apanhar uma castanhada valente ao denunciar a actuação da EDP no caso da venda das barragens, pois a lei que permitiu o não pagamento de impostos foi aprovada com os votos do BLOCO. Esta história à volta da venda das barragens faz-me lembrar outras, quando no regime anterior, se fazia uma lei para safar o filho do Senhor Fulano de Tal da tropa para não ter de ir à guerra e era aproveitada também pelo filho do Pé Descalço. A Mariana Mortágua – e as outras – tem muito a aprender e a actuar com mais humidade. Aprendam, Meninas, aprendam!

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