BE de Vila Real “preocupado” com vestígios arqueológicos na rua Marechal Teixeira Rebelo

O núcleo concelhio do Bloco de Esquerda (BE) de Vila Real, alertado por um grupo de historiadores, mostrou-se “preocupado” com a preservação de vestígios de arte rupestre localizada na Rua Marechal Teixeira Rebelo, arruamento que se encontra a beneficiar de obras de requalificação no âmbito do Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano (PEDU).

O BE reuniu, na passada segunda-feira, com a International History Study & Historians Group e com o arqueólogo vila-realense, Luís Pereira. Após a reunião, Luís Santos, em declarações à Universidade FM, mostrou-se “verdadeiramente preocupado” com a forma o património está a ser tratado. “É importante perceber que o desenvolvimento e a modernidade da cidade não podem ser alcançados à custa da destruição do património. O que, infelizmente, se tem vindo a repetir em Vila Real”, acusou o representante.

Segundo Luís Santos, o alerta recebido pelo BE já foi comunicado ao município “de forma atempada há cerca de um ano”, mas este “optou por tratar o assunto como um caso menor”. “Trata-se efetivamente de uma forma de olhar para o património. O município, mais uma vez, falhou, como já tinha falhado com o edifício da Panereal, com a Calçada Romana medieval da Campeã ou na preservação do património natural da cidade, ou até no Barro Preto de Bisalhães. O município falhou porque não providenciou um estudo arqueológico local e o devido acompanhamento durante o período de obras, o que já se torna recorrente”, atirou Luís Santos.

“A Câmara Municipal é a primeira a defender o património”

Quando questionado sobre essa intervenção, Adriano Sousa, vereador da Câmara Municipal de Vila Real com o pelouro da Reabilitação Urbana, salientou que “a Câmara Municipal é a primeira a defender o património” e que “isso é visível nas obras de recuperação da Central do Biel, uma peça da arqueologia industrial que será preservada”.

Já no que diz respeito à arte rupestre localizada na Rua Marechal Teixeira Rebelo, Adriano Sousa explicou que, “quer no projeto, quer na obra, a Câmara Municipal tomou todas as precauções”. “[Tomamo-las] aquando da elaboração do projeto, pois foram dadas ordens e instruções aos projetistas para que aquele espaço não sofresse qualquer alteração. Na obra também foram dadas instruções ao empreiteiro para ser dado o devido cuidado àquele afloramento rochoso. Aliás, na própria operação de reabilitação urbana, está identificado esse afloramento rochoso e está salvaguardada a sua conservação”, frisou o vereador, realçando que as obras são acompanhadas por uma arqueóloga, que “está em cima do acontecimento”.

Por fim, Adriano Sousa também relembrou que foi por iniciativa da autarquia que as duas fontes ali existentes, que estavam tapadas, hoje, se encontram “perfeitamente visíveis”. “As fontes vão sofrer obras de beneficiação no sentido de ter melhor visibilidade”, concluiu.

Cláudia Richard

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