Vítor Pimentel: “regras que são aplicadas no litoral não podem ser as mesmas para o interior”

Vítor Pimentel, candidato do CPS-PP pelo círculo eleitoral de Vila Real às eleições legislativas marcadas para o dia 30 de janeiro, marcou presença no estúdio da Universidade FM, para uma entrevista centrada na sua candidatura.

Sobre a mesma, o candidato declarou que faz parte de uma lista representativa do distrito, com membros de 10 concelhos diferentes que “são gente de cá”.

A primeira questão abordada foi relativa à desertificação de que o território tem vindo a sofrer ao longo dos últimos anos. Sobre esse assunto, Vítor Pimentel frisou que “é necessário que quem é eleito alerte para este facto e proponha medidas”. “Se olharmos para os números, eles são assustadores. Nos últimos 10 anos, perdemos cerca de 38 mil pessoas, o equivalente de toda a população do concelho de Chaves”, relembrou. 

Além disso, o candidato realçou o facto de 60% do território eleger 10% dos lugares na Assembleia da República, o que “não é aceitável”. “Não vale a pena andar aqui a tentar vender ideias de regionalização ou de coesão territorial porque as tendências são para concentrar tudo nos grandes centros e no litoral. Precisamos de medidas que tragam gente e, para tal, é necessário ter força nos meios de decisão, o que, por sua vez, depende da eleição de mais deputados”, explicou o cabeça de lista, reforçando que é necessária uma “reforma do sistema”. 

CDS-PP defende discriminação positiva para o interior 

Sobre as problemáticas da região, Vítor Pimentel referiu que “o CDS, em termos de interior, está muito à vontade nestas matérias, porque sempre foi um partido que defendeu e apoiou o mundo rural”.

Para o partido, um dos problemas centrais centra-se na falta de uma discriminação positiva para o interior ao nível das regras que são aplicadas a nível nacional. “Podemos ser um país só, mas as regras que são aplicadas no litoral não podem ser as mesmas para o interior”, reforçou,

De entre as regras que enumerou destaca-se o número mínimo de alunos por turma, que faz com que escolas fechem, professores saiam do território, dado que este se torna menos atrativo e há menos oportunidade para os estudantes do interior; e a necessidade de haver uma política diferenciada ao nível dos custos energéticos, dado que a temperatura e o clima são completamente diferentes.

Perda de rendimento dos agricultores “não é aceitável”

Quando questionado relativamente à perda de rendimento por parte dos agricultores, o candidato do CDS-PP classificou essa situação como “inaceitável”, havendo necessidade “de uma organização ou entidade forte que defenda os pequenos agricultores, representando-os junto do poder central”. “Toda a nossa economia funciona muito a volta da agricultura e do mundo rural. Temos uma série de produtos endógenos que têm de ter linhas e apoios específicos para que o mundo rural e o interior possam ser mais competitivos do que o que tem vindo a ser”, explicou.

“Eu sou completamente contra a regionalização”

Relativamente à sua posição no que diz respeito à regionalização, Vítor Pimentel esclareceu que é “completamente contra”, uma vez que criará “mais tachos, mais pessoal político, mais burocracia, mais despesa e vai acabar tudo em mais impostos no bolso dos contribuintes”. “As regiões como a nossa não precisam de máquinas administrativas a juntar às máquinas que já têm, precisam de mais empresas, de mais escolas, de mais hospitais, mais vias e mais famílias, ou seja, elas precisam de uma verdadeira política para o interior e não precisam de politiquices, precisam de melhor estado e não de mais estado”, defendeu, acrescentando que a melhor alternativa é a descentralização de recursos, competências e poderes.

“Em média, os municípios portugueses, recebem cerca de 1/3 do dinheiro que costumam receber na europa. Isto prova que o modelo municipal não está esgotado. Esta tentativa de passagem de competências para os municípios fará sentido, agora, tem é que haver a comparticipação para que possam receber essas competências”, realçou.

Ferrovia tem de ser uma prioridade na região 

Sobre a ferrovia, o cabeça de lista relembrou que, no distrito, há uma plataforma logística, Chaves, que fica próxima da fronteira com a Galiza, e que é a única que não tem ferrovia, “Eu sei que esta ideia foi abandonada há algum tempo. Aliás, já foi, entretanto, assinado um protocolo com o município de Chaves, Vila Real, Vila Pouca, Santa Marta de Penaguião e Peso da Régua, no sentido de ser construída uma ecovia internacional do Tâmega e do Corgo, aproveitando a Linha do Corgo, mas temos de pesar o que é mais importante para o desenvolvimento da região, se é a ciclovia ou se queremos o regresso do comboio”, frisou.

Problema do lítio é “a falta de clareza”

Por fim, foi mencionada a questão do lítio que, para o candidato, é um tema “extremamente delicado, dado que, aquilo que nasce torto, tarde o nunca endireita”.

Luís Pimentel sublinhou, ainda, que, o problema do lítio “está na falta de clareza em todo o processo”. “Tentou-se, numa primeira fase, fazer-se as coisas pela calada, esconder as possibilidades da população. Repare que, neste momento, já existem contratos assinados enquanto não temos a certeza da viabilidade da exploração e durante quanto tempo ela seria lucrativa. É um problema com o qual o governo vai ter de lidar muito a sério, porque o processo está em andamento”, concluiu. 

CR

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